Poesia & poemas

23 giugno 2010

O sempre amor

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 7:26 pm

Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra-sabão.
Alegre ou triste,
amor é a coisa que mais quero.

Adélia Prado, no livro Bagagem, Editora Record Rio de Janeiro 2003, p. 86.

L’amore sempre

L’amore è la cosa più allegra
l’amore è la cosa più triste
l’amore è la cosa che più voglio.
Per causa sua dico parole come frecce.
L’amore è la cosa più allegra
l’amore è la cosa più triste
l’amore è la cosa che più voglio.
Per causa sua possono scolpirmi,
sono come di gesso.
Allegro o triste,
l’amore è la cosa che più voglio.

traduzione di Patrizia Ercole

Na imagem Adélia Prado, dentro do ciclo de debates “Sempre Um Papo”, fala sobre O poder humanizador da poesia.- Foto di Patrizia Ercole, São Paulo 6 Agosto 2008.

29 aprile 2010

Crescer

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 6:40 am

Quando eu era menino, os mais
velhos perguntavam:
– Que é que você quer ser quando
crescer?

Hoje não me perguntam mais. Se
me perguntassem, eu diria que
quero ser menino.

Fernando Sabino no livro O Menino no Espelho

Crescere

Quando ero un bambino, i più
grandi, mi domandavano:
– Che cosa vuoi essere
da grande?

Oggi non me lo chiedono più. Se
me lo damandassero, gli direi che
vorrei essere un bambino.

traduzione di Patrizia Ercole – aprile 2010

Nesta obra, o menino Fernando, que vem a ser o próprio autor, vive todas as fantasias de sua infância, através de aventuras mirabolantes.
Ensina uma galinha a conversar, aprende a voar com os pássaros, fica invisível, encontra-se com Tarzan e Mandrake, visita o sítio do Pica Pau Amarelo, torna-se agente secreto e campeão de futebol, vive aventuras na selva, enfrenta o valentão da sua escola.
E, no menino que vê refletido no espelho, descobre o melhor de si mesmo, a projeção do ideal de pureza que só uma criança pode alcançar – simbolizada na libertação dos passarinhos.

Foto di Patrizia Ercole © Centro Comunitário “Oscar Romero” – São Paulo (Brasil) 2006

25 aprile 2010

INVENÇÃO DA ALEGRIA

Filed under: Libri,Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 8:09 pm

Há quem cultive a dor,
Eu invento a alegria.
De todo o meu amor,
Que vale mais que o dia,
Quero legar a história,
Quero deixar ao vento
(sem ais e sem lamento)
Uma justa memória
E enxuta fantasia.

Há quem celebre a morte,
Eu festejo a alegria.
Por graça ou por esporte
Ou mesmo por mania,
Quero inventar a vida,
Quero o melhor carinho
Doar a meu vizinho
Como a melhor partida
De sonho ou de poesia.

Há quem festeje o pranto,
Eu invento a alegria,
Razão maior do canto,
Antes que a cotovia
Arquive o nosso idílio,
Cancele o meu futuro,
Razão maior do puro
Clarão deste meu círio
Votado à alegria.

Poeta Antônio Lázaro de Almeida Prado no livro CICLO DAS CHAMAS E OUTROS POEMAS

Invenzione dell’allegria

C’è chi coltiva il dolore,
io invento l’allegria.
Di tutto il mio amore,
che vale più del giorno,
voglio trasmettere alla storia,
voglio lasciare al vento
(senza pianti e senza lamento)
una giusta memoria
e asciutta fantasia.

C’è chi celebra la morte,
io festeggio l’allegria.
Per grazia o per sport
o solo per mania,
voglio inventare la vita,
voglio la migliore carezza
donare al mio vicino
come la migliore partita
di sogno o di poesia.

C’è chi festeggia il pianto,
io invento l’allegria,
ragione suprema del canto,
prima che l’allodola
archivi il nostro idillio,
cancelli il mio futuro,
ragione maggiore del puro
bagliore di questo mio cero
votato all’allegria.

traduzione Patrizia Ercole

17 aprile 2010

OS POEMAS

Filed under: Libri,Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 5:51 pm

Os poemas são pásaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
com de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

de Mário Quintana, em “Esconderijos do Tempo”

LE POESIE

Le poesie sono passeri che arrivano
non si sa da dove e si posano
sul libro che leggi.
Quando chiudi il libro, essi si levano in volo
come da una trappola.
Non hanno atterraggio
né porto
s’alimentano di un istante in ogni paio di mani
e ripartono.
E guardi, allora, queste tue mani vuote,
nel meraviglioso stupore di sapere
che il loro alimento già stava in te…

traduzione di Patrizia Ercole

10 aprile 2010

A música clássica dá alegria

Filed under: Libri,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 11:06 am

A música clássica dá alegria.
Há músicas que dão prazer.
Mas a alegria é muito mais que prazer.
O prazer é coisa humana, deliciosa.
Mas é criatura do primeiro olho,
onde moram as coisas do tempo, efêmeras,
que aparecem e logo desaparecem.
A alegria, ao contrário,
é criatura do segundo olho,
das coisas eternas que permanecem.
Superior ao prazer,
a alegria tem o poder divino
de transfigurar a tristeza.

Rubem Alves no livro Na morada das palavras – editora: Papirus

La musica classica dà allegria.
Ci sono musiche che danno piacere.
Ma l’allegria è molto di più che il piacere.
Il piacere è cosa umana, deliziosa.
Ma è creatura del primo occhio.
dove abitano le cose del tempo, effimere,
che appaiono e presto svaniscono.
L’allegria, al contrario,
è creatura del secondo occhio,
delle cose eterne che rimangono.
Superiore al piacere,
l’allegria ha il potere divino
di trasfigurare la tristezza.

traduzione di Patrizia Ercole

4 aprile 2010

Minha morte nasceu…

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 9:31 pm

Nino 01

Minha morte nasceu quando eu nasci.
Despertou, balbuciou, cresceu comigo…
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequenina rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo
De rir e que, ai de mim, também perdi!
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave e boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo… ou no fim de longa vida…

E as horas lá se vão, loucas ou tristes…
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti… saber que tu existes!

Mário Quintana (1906 – 1994) – Foto di Nino Di Cristofano ©

La mia morte nacque …

La mia morte nacque quando io nacqui.
Si destò, balbetto, crebbe con me …
E danzammo in cerchio al chiaro di luna
nella piccola strada nella quale vissi.

Già non ha più quel modo antico
di ridere e che, ahimè, anch’io ho perduto!
Ma anche ora la sto sentendo qui,
grave e bella, ad ascoltare quello che gli dico:

Tu che sei la mia dolce Promessa,
non so quando saranno le nostre nozze,
se oggi stesso … o alla fine di una lunga vita…

E le ore così se ne vanno, pazze o tristi …
Ma è così bello, in mezzo a tutte le ore,
pensarti … sapere che tu esisti!

traduzione di Patrizia Ercole

3 aprile 2010

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 2:31 pm

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana (1906 – 1994) no livro A Cor do Invisível

Ho scritto una poesia triste

Ho scritto una poesia triste
e bella, soltanto della sua tristezza.
Non viene da te questa tristezza
ma dai cambiamenti del Tempo,
che ora ci porta speranze
ora ci dà incertezza…
Non importa, al vecchio Tempo,
che tu sia fedele o infedele …
Io resto, unito alla corrente
guardando le ore tanto brevi …
E delle lettere che mi scrivi
faccio barchette di carta!

traduzione di Patrizia Ercole

20 marzo 2010

Bilhete

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 8:48 pm

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Mário Quintana (1906 – 1994)

Bigliettino

Se tu mi ami, amami sottovoce
non gridarlo da sopra i tetti,
lascia in pace gli uccellini
lascia in pace me!
Se mi vuoi,
infine,
deve essere delicatamente, Amore mio,
che la vita è breve, e l’amore più breve ancora…

traduzione di Patrizia Ercole

18 marzo 2010

Este Quarto

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 10:48 pm

Este quarto de enfermo, tão deserto
de tudo, pois nem livros eu já leio
e a própria vida eu a deixei no meio
como um romance que ficasse aberto…

que me importa esse quarto, em que desperto
como se despertasse em quarto alheio?
Eu olho é o céu! imensamente perto,
o céu que me descansa como um seio.

Pois o céu é que está perto, sim,
tão perto e tão amigo que parece
um grande olhar azul pousado em mim.

A morte deveria ser assim:
um céu que pouco a pouco anoitecesse
e a gente nem soubesse que era o fim…

Mário Quintana (1906 – 1994)

Questa stanza

Questa stanza di infermo, così deserta
di tutto, poiché neppure i libri adesso leggo
e la vita stessa l’ho lasciata nel mezzo
come un romanzo che rimane aperto…

Che mi importa di questa stanza, in cui mi sveglio
come se mi svegliassi in una stanza estranea?
Io guardo il cielo! È infinitamente vicino,
il cielo che mi tranquillizza come un seno.

Il cielo è vicino, così vicino
e così amico da sembrare
un grande sguardo azzurro posato su di me.

La morte dovrebbe essere così:
un cielo che a poco a poco si fa notte,
e noi senza capire che è la fine…

traduzione di Patrizia Ercole

15 marzo 2010

INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 5:50 pm

Nino 02

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio…
E a luz da estrela no fim!”

Mário Quintana (1906 – 1994) – Foto di Nino Di Cristofano ©

Iscrizione per il portale del cimitero

Nella stessa pietra si incontrano,
così come il popolo traduce,
Quando si nasce – una stella,
Quando si muore – una croce.
Ma quelli che qui riposano
ci hanno chiesto di correggerla così:
“Mettimi la croce al principio …
e la luce della stella alla fine!”

traduzione di Patrizia Ercole (2010)

Pagina successiva »

Blog su WordPress.com.