Poesia & poemas

18 novembre 2015

A brusca poesia da mulher amada (II)

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:31 pm

A mulher amada carrega o cetro, o seu fastígio
É máximo. A mulher amada é aquela que aponta para a noite
E de cujo seio surge a aurora. A mulher amada
É quem traça a curva do horizonte e dá linha ao movimento dos
astros.
Não há solidão sem que sobrevenha a mulher amada
Em seu acúmen. A mulher amada é o padrão índigo da cúpula
E o elemento verde antagônico. A mulher amada
É o tempo passado no tempo presente no tempo futuro
No sem tempo. A mulher amada é o navio submerso
É o tempo submerso, é a montanha imersa em líquen.
É o mar, é o mar, é o mar a mulher amada
E sua ausência. Longe, no fundo plácido da noite
Outra coisa não é senão o seio da mulher amada
Que ilumina a cegueira dos homens. Alta, tranqüila e trágica
É essa que eu chamo pelo nome de mulher amada.
Nascitura. Nascitura da mulher amada
É a mulher amada. A mulher amada é a mulher amada é a mulher
amada
É a mulher amada. Quem é que semeia o vento? – a mulher amada!
Quem colhe a tempestade? – a mulher amada!
Quem determina os meridianos? – a mulher amada!
Quem a misteriosa portadora de si mesma? A mulher amada.
Talvegue, estrela, petardo
Nada a não ser a mulher amada necessariamente amada
Quando! E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação. Por isso, seja ela! A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada! Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!

Vinicius de Moraes

(1913-1980)

13 novembre 2015

LE NOSTRE RISPOSTE

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:35 pm

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I
Quanto è lunga la vita e come è strana.
Quanto è lontana la città a quest’ ora !
E ieri – non ti conoscevo ancora.
E domani – chissà se ti vedrò.
Cerco la mia collana e non la trovo
e il pettine non è dove credevo.
Si è fatto tardi – e devo salutarti.
E non so più se mi vuoi bene o no.

II
Forse una donna vuol sapere troppo,
ma anche tu vuoi sapere e non lo chiedi.
Che cosa pensi quando non mi vedi ?
Che cosa vedi quando pensi a me ?
Cerchi le sigarette e non le trovi,
cerchi d’ essere allegro e non ci arrivi.
Si è fatto tardi – e devi salutarmi.
E non sai più chi ero e chi sarò.

III
Quanti anni son passati su noi due.
Quanto è breve la vita e come è strana.
Quel che era vicino s’ allontana,
quel che era lontano è accanto a te.
Cerchi la giovinezza e non la trovi.
Ma ora sai che cosa le chiedevi.
Si è fatto tardi – e siamo ancora insieme
a domandarci quel che non si sa.

Franco Fortini

da “Poesie inedite” – Einaudi, Torino 1995

Eu Escrevi um Poema Triste

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:20 pm

pierino

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mario Quintana

Ho Scritto una Poesia Triste

Ho scritto una poesia triste

e bella soltanto per la sua tristezza.
Non vien da te questa tristezza
ma dal mutare del tempo,

che ora ci porta speranze ora ci dà incertezza…
E non importa, al vecchio tempo,
che sia fedele o infedele…

Io rimango, attaccato alla corrente,
a guardare le ore così brevi…
E con le lettere che mi scrivi
faccio barche di carta!

traduzione di Pierino Bonifazio

10 novembre 2015

Amanti

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:14 pm

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Sul gradino dell’inverno a turno,
si sederono gli amanti.
Stai crescendo tra le loro spalle
denso bosco di impossibili,
con molti rami scuri.

Un denso bosco di spine
stai crescendo tra le loro labbra
Pallide parole secche,
foglie di addii,
ombra di confusa angustia
nella curva giovane della bocca,
nel dolce luogo dei baci.
Così persi, così soli
per intimi sentieri!

Innanzi a loro, le statue,
eternamente avviluppate,
gloriosamente nude,
profondamente soavi,
con luminosità di primavera
nell’eterea aspetto marmoreo…
(Festivi corpi di pietra!)

Noi amanti umani,
il corpo è lento e pesante,
lunga rete su cui scorrere le lacrime
nelle vaste sabbie dell’anima.

Cecília Meireles

Namorados

No degrau do inverno turno,
sentaram-se os namorados.
Vai crescendo entre os seus ombros
denso bosque de impossíveis,
com muitos ramos escuros.

Um denso bosque de espinhos
vai crescendo entre os seus lábios.
Pálidas palavras secas,
folhagem de despedidas,
sombra de confusa angústia
na curva jovem da boca,
no doce lugar dos beijos.
Tão perdidos, tão sozinhos
por interiores caminhos!

Diante deles, as estátuas,
eternamente enlaçadas,
gloriosamente desnudas,
profundamente amorosas,
com brilhos de primavera
no etéreo gesto de mármore…
(Festivos corpos de pedra!)

Nos namorados humanos,
o corpo é lento e pesado,
longa rede a escorrer lágrimas
nas vastas areias da alma…

Pouco me importa

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:07 pm

Pouco me importa o que?
Não sei: pouco me importa.

Alberto Caeiro, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa
(1888-1935)

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