Poesia & poemas

31 agosto 2015

Io vorrei che le donne graziose…

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:08 am

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Io vorrei che le donne graziose

fossero come i fiori d ’un giardino.
Io me n ’andrei tra le animate rose,
cantando pei viali ogni mattino;

tra lor m ’adagerei pianin pianino,

me le vedrei d ’attorno, in su lo stelo
chine vêr me, parlarmi davvicino,
e sarei pago del lor dolce anelo.

Poi tutte, ad una ad una, io le côrrei;

mi starebbe ciascuna un dí sul seno,
a godersi i miei baci e i sospir miei.

Oppur nessuna ne vorrei toccare;

vorrei, senza succhiar miele o veleno,
il profumo aspirarne, ed oltre andare.

Luigi Pirandello

Espera

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:02 am

Não me digas adeus, ó sombra amiga,

Abranda mais o ritmo dos teus passos;

Sente o perfume da paixão antiga,

Dos nossos bons e cândidos abraços!

 

 

Sou a dona dos místicos cansaços,

A fantástica e estranha rapariga

Que um dia ficou presa nos teus braços…

Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

 

 

Teu amor fez de mim um lago triste:

Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,

Quanta canção de ondinas lá no fundo!

 

 

Espera… espera… ó minha sombra amada…

Vê que pra além de mim já não há nada

E nunca mais me encontras neste mundo!…

 

 

Florbela Espanca

Florbela d’Alma da Conceição Espanca tem hoje seus versos admirados em todos os cantos do mundo, diferentemente do que aconteceu quando ainda viva, época em que foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos de então. Os dois livros que publicou, por sua conta, em vida, foram “O Livro das Mágoas” (1919) e “Livro de “Sóror Saudade” (1923). Às vésperas da publicação de seu livro “Charneca em Flor”, em dezembro de 1930, Florbela pôs fim à sua vida. Tal ato de desespero fez com que o público se interessasse pelo livro e passasse a conhecer melhor a sua obra. Dizem os críticos que a polêmica e o encantamento de seus versos é devida à carga romântica e juvenil de seus poemas, que têm como interlocutor principal o universo masculino.

Poema extraído de uma publicação fac-similar do livro “Sonetos”,  12ª edição, pág.125.

27 agosto 2015

Quanto tempo foste due

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:03 pm

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Quanto tempo foste due!
Tu volevi e non volevi.
Non eri come il tuo amare,
né il tuo amare come te.
Che alternanza tra una e l’altra!
Ad ogni specchio del mondo,
al silenzio, o agli azzardi,
domandavi
quale fosse la migliore.
Incostante di te stessa
andavi sempre uccidendo
il tuo sì con il tuo no.
Così sull’orlo dei baci,
non il tuo core sapeva,
né il mio si avvicinava:
se era quella che volevi
tu, o che volevo io.
Quando eravate divise,
come il fiore dal suo fiore,
quanto bisognava andare
lontano da te a cercarti
l’amare! Lui da una parte.
Tu dall’altra.
E poi lo trovavo. Ma
non sapevo rimanerci,
vivere così divisi
o dal tuo amore o da te.
Ed io amavo tutti e due.
E infine tutto è vicino.
Faccia a faccia ti guardasti,
il tuo sguardo in te ti vide:
già eri quella che volevi.
E adesso vi bacio entrambe
in te sola.
L’anima però non sa
chi ottenne
questa pace d’interezza:
se è che il tuo amore assomiglia
a te, da quanto ti ama.
o se tu invece,
da tanto che lo stai amando,
non sei già uguale al tuo amore.

Pedro Salinas

¡Cuánto tiempo fuiste dos!
Querías y no querías.
No eras como tu querer,
ni tu querer como tú.
¡Qué vaivén entre una y otra!
A los espejos del mundo,
al silencio, a los azares,
preguntabas
cuál sería la mejor.
Inconstante de ti misma
siempre te estabas matando
tu mismo sí con tu no.
Y en el borde de los besos,
ni tu corazón ni el mía
sabía quién se acercaba:
si era la que tú querías
o la que quería yo.
Cuando estabais separadas,
como la flor de su flor,
¡qué lejos de ti tenía
que ir a buscarte el querer!
Él estaba por un lado.
Tu en otro.
Lo encontraba. Pero no
sabía estarme con él,
vivir así separados
o de tu amor o de ti.
Yo os quería a los dos.
Y por fin junto está todo.
Cara a cara te miraste,
la mirada en ti te vio:
eras ya la que querías.
Y ahora os beso a las dos
en ti sola.
Y esta paz de ser entero,
no sabe
el alma quién la ganó:
si es que tu amor se parece
a ti, de tanto quererte,
o es que tú,
de tanto estarle queriendo
eres ya igual que tu amor.

(“¡Cuánto tiempo fuiste dos!” RAZÓN DE AMOR, Pedro Salinas )

“RAGIONI D’AMORE” Pedro Salinas, Passigli Editori. Traduzione: Valerio Nardoni

Tão bom aqui

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 7:49 pm

Me escondo no porão
para melhor aproveitar o dia
e seu plantel de cigarras.
Entrei aqui para rezar,
agradecer a Deus este conforto gigante.
Meu corpo velho descansa regalado,
tenho sono e posso dormir,
Tendo comido e bebido sem pagar.
O dia lá fora é quente,
a água na bilha é fresca,
acredito que sugestionamos elétrons.
Eu só quero saber do microcosmo,
O de tanta realidade que nem há.
Na partícula visível de poeira
Em onda invisível dança a luz.
Ao cheiro de café minhas narinas vibram,
Alguém vai me chamar.
Responderei amorosa,
Refeita de sono bom.
Fora que alguém me ama,
Eu nada sei de mim.

Adélia Prado

Texto extraído do livro “A duração do dia”, Ed. Record, 2010 – Rio de Janeiro (RJ), pág. 09.

Io ti amo

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:44 am

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Io ti amo
e se non ti basta
ruberò le stelle al cielo
per farne ghirlanda
e il cielo vuoto
non si lamenterà di ciò che ha perso
che la tua bellezza sola
riempirà l’universo

Io ti amo
e se non ti basta
vuoterò il mare
e tutte le perle verrò a portare
davanti a te
e il mare non piangerà
di questo sgarbo
che onde a mille, e sirene
non hanno l’incanto
di un solo tuo sguardo

Io ti amo
e se non ti basta
solleverò i vulcani
e il loro fuoco metterò
nelle tue mani, e sarà ghiaccio
per il bruciare delle mie passioni

Io ti amo
e se non ti basta
anche le nuvole catturerò
e te le porterò domate
e su te piover dovranno
quando d’estate
per il caldo non dormi
E se non ti basta
perché il tempo si fermi
fermerò i pianeti in volo
e se non ti basta
vaffanculo

Stefano Benni

A Treva

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 10:29 am

Me escolhem os claros do sono
engastados na madrugada,
a hora do Getsêmani.
São cruas claras visões
às vezes pacificadas,
às vezes o terror puro
sem o suporte dos ossos,
que o dia pleno me dá.
A alma desce aos infernos,
a morte tem seu festim.
Até que todos despertem
e eu mesma possa dormir,
o demônio come a seu gosto,
o que não é Deus pasta em mim.

Adélia Prado

Texto extraído do livro “Figuras do Brasil 80 Autores em 80 Anos de Folha”,  Editora PUBLIFOLHA – folha de São Paulo,27/6/1982, pág. 232

24 agosto 2015

Estate

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:14 pm

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La luce alta, i suoni alti della luce
e si apre la distanza. Basta quel luccichio
di latte alle persiane, quelle fessure d’ombra
dense e profonde, l’abbaglio di frescura,
lo sventolio dei rami dai balconi,
ecco l’estate e il cielo si fa mare.
La città si solleva e veleggiando oscilla
mossa dalle brezze.

Patrizia Cavalli

Flor de todos os tempos

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:42 pm

Dantes a tua pele sem rugas,
A tua saúde
Escondiam o que era
Tu mesma.

Aquela que balbuciava
Quase inconscientemente:
“Podem entrar.”

A que me apertava os dedos
Desesperadamente
Com medo de morrer.

A menina.
O anjo.
A flor de todos os tempos.
A que não morrerá nunca.

Manuel Bandeira

(1886-1968)

23 agosto 2015

ALL’AEROPORTO

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 10:19 pm

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Si corrono incontro a braccia spalancate,
esclamano ridendo: Finalmente! Finalmente!
Entrambi indossano abiti invernali,
tappeti caldi,
sciarpe,
guanti,
scarpe pesanti,
ma solo ai nostri occhi.
Ai loro – sono nudi.

Wisława Szymborska

 
NA LOTNISKU

Biegną ku sobie z otwartymi ramionami,
wołają roześmiani: Nareszcie! Nareszcie!
Oboje w ciężkich zimowych ubraniach,
w grubych czapkach,
szalikach,
rękawiczkach,
butach,
ale już tylko dla nas.
Bo dla siebie – nadzy.

 
dalla raccolta “Basta così” [Wystarczy], tr. it. S. De Fanti, Adelphi 2012

22 agosto 2015

Canto de regresso à pátria

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:58 pm

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

Oswald de Andrade

Oswald de Andrade (1890-1954) é um dos mais significativos autores modernistas da literatura brasileira. Participou da Semana de Arte Moderna, editou o jornal “O Homem do Povo” e ajudou a fundar “O Pirralho” e a “Revista Antropofágica”. É de sua autoria o Manifesto Antropófago de  1928.

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