Poesia & poemas

28 aprile 2015

LE COSE ELEMENTARI

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 5:39 pm

bottone

In modo maldestro, con ago grosso, con
filo grosso,
si attacca i bottoni della giacca. Parla da
solo:

Hai mangiato il tuo pane? Hai dormito
tranquillo?
Hai potuto parlare? Tendere la mano?
Ti sei ricordato di guardare dalla finestra?
Hai sorriso al bussare della porta?

Se la morte c’è sempre, è la seconda.
La libertà sempre è la prima.

Ghiannis Ritsos

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Ladainha

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 5:16 pm

Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.

Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-
corporal?

Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.

Ó máquina, orai por nós.
Cassiano Ricardo

(1895-1974)

26 aprile 2015

Quei due abbracciati

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 5:26 pm

henri-cartier-bresson-paris-1958-e1427839279808

Quei due abbracciati sulla riva del Reno a Gottlieben
potevamo essere anche tu ed io,
ma noi due non passeggeremo mai più
su nessuna riva abbracciati.
Vieni, passeggiamo almeno in questa poesia.

Izet Sarajlić

2000
(Traduzione di Sinan Gudzević  e Raffaella Marzano)
da “Qualcuno ha suonato”, Multimedia Edizioni, 2009

Viagem em círculo (Repetição)

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 4:58 pm

A esperança me o-
briga a caminhar
em círculo em tor-
no do globo em tor-
no de mim mesmo em
torno de uma mesa
de jogO

até que o zodíaco
pára e a noite cos-
tura-me a boca a
retrós preto/mas
eu fico impresso
no olho do dia o-
bsoletO

viagem em círculo
sem ida nem venida
sem nenhuma aveni-
da/adeus com a mão
esquerda/amanhã
recomeçO

entre e um e outro
julho entre um e
outro crepúsculo a
cidade que busco
como hei de encon-
trá-la/ouço-lhe a
fala mas estou na
outra sala/amanhã
recomeçO

a esperança é um
círculo no zodía-
co na ciranda na
roleta na rosa do
circo na roda do
moinho
amanhã recomeçO

em que lado do glo-
bo terá cessado o
diálogo da ovelha
e do lobO
?

Cassiano Ricardo

(1895-1974)

SUL CIGLIO VERDE

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:42 pm

margherite
Sul ciglio verde della strada
le margherite sono mie.
Già ho l’anima stanca –
non di questo: ma di Dio.

Se Dio me la volesse dare
dovrebbe trovare il modo…
La strada di qua del fossato
ha margherite sul ciglio.

Se le voglio, le colgo e sto
attento nel dividerle
ognuna che ne vedo e raccolgo
dà un tenue schiocco al distacco.

Sono margherite a iosa
alla vista tutte uguali
e appena vi si mettono gli occhi
si porge la mano per riceverle.

Non è elemosina che umili,
nè cosa data senza scopo.
È perchè le ponga la fanciulla
dove il seno accenna.

Le colsi ai margini del campo
per portarle alla fanciulla…
Nè mi mostra il piacere
di uno sguardo nel vedermi…

È così il mio destino.
Le tolsi da ove bene stavano
Solo per darle alla fanciulla, –
E non ringraziò nessuno.

Fernando Pessoa

O acusado

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:21 pm

Quando eu nasci, já as lágrimas que eu havia
De chorar, me vinham de outros olhos.

Já o sangue que caminha em minhas veias pro futuro
Era um rio.

Quando eu nasci já as estrelas estavam em seus lugares
Definitivamente
Sem que eu lhes pudesse, ao menos, pedir que influíssem
Desta ou daquela forma, em meu destino.

Eu era o irmão de tudo: ainda agora sinto a nostalgia
Do azul severo, dramático e unânime.
Sal – parentesco da água do oceano com a dos meus olhos,
Na explicação da minha origem.

Quando eu nasci, já havia o signo do zodíaco.

Só, o meu rosto, este meu frágil rosto é que não
Quando eu nasci.

Este rosto que é meti, mas não por causa dos retratos
Ou dos espelhos.

Este rosto que é meu, porque é nele
Que o destino me dói como uma bofetada.
Porque nele estou nu, originalmente.
Porque tudo o que faço se parece comigo.
Porque é com ele que entro no espetáculo.
Porque os pássaros fogem de mim, se o descubro
Ou vêm pousar em mim quando eu o escondo.

Cassiano Ricardo

(1895 – 1974)

25 aprile 2015

L’assetato

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:40 pm

riflesso

Per trovarmi, Poesia,
mi cercai in te:
stella d’acqua che si sfalda,
l’essere mio s’annegò.
Per cercarti, Poesia,
feci naufragio in me.

Poi presi a cercarti, per
fuggire da me:
oh quel folto di riflessi
in cui mi perdei!
E quando feci ritorno
quello che trovai fu

lo stesso volto perduto
nella stessa nudità,
le stesse acque specchianti
alle quali non berrò
e alle sponde dello specchio
me stesso morto di sete.

Octavio Paz

Papagaio gaio

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:25 pm

Papagaio insensato,
que te fêz assim?
Que não sabes falar
brasileiro
e já sabes latim?

Papagaio insensato,
ave agreste, do mato,
que diabo em ti existe,
verde-gaio,
que nunca estás triste?

Papagaio do mato,
se nunca estás triste,
quem foi que te ensinou,
por maldade,
a palavra saudade?

Papagaio triste,
papagaio gaio,
quem te fez tão triste
e tão gaio,
triste mas verde-gaio?

Papagaio gaio,
quem te ensinou,
em mais
do mato, a repetir,
papagaio,
tanto nome feio?

Gaio, papagaio,
gaio, gaio, gaio,
que repetes tudo…
Antes fosses
um pássaro mundo.

Papagaio do mato,
se nunca estás triste,
quem foi que te ensinou,
por maldade,
a palavra saudade?

Papagaio, gaio.
Gaio, gaio, gaio.

Cassiano Ricardo
(1895-1974)

Cos’è rimasto dei momenti belli?

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 6:16 pm

iaro7

Il brillare degli occhi,
una goccia d’essenza,
un sospiro sul bàvero,
il respiro sul vetro,
di lacrime una briciola
e un’unghia di tristezza.
E poi, credetemi, quasi più nulla.
Fumo di sigarette
e sorrisi fuggevoli,
e un pugno di parole
che volano in un angolo
come rifiuti lievi
che il vento porta via.
E ancora non vorrei dimenticare
quei tre fiocchi di neve.
Solo questo, ed è tutto.

Jaroslav Seifert

A graça triste

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 4:34 pm

Só me resta agora
Esta graça triste
De te haver esperado
Adormecer primeiro.
Ouço agora o rumor
Das raízes da noite,
Também o das formigas
Imensas, numerosas,
Que estão, todas, corroendo
As rosas e as espigas.

Sou um ramo seco
Onde duas palavras
Gorjeiam. Mais nada.
E sei que já não ouves
Estas vãs palavras.
Um universo espesso
Dói em mim com raízes
De tristeza e alegria.
Mas só lhe vejo a face
Da noite e a do dia.

Não te dei o desgosto
De ter partido antes.
Não te gelei o lábio
Com o frio do meu rosto.
O destino foi sábio:
Entre a dor de quem parte
E a maior — de quem fica —
Deu-me a que, por mais longa,
Eu não quisera dar-te.

Que me importa saber
Se por trás das estrelas
haverá outros mundos
Ou se cada uma delas
É uma luz ou um charco?
O universo, em arco,
Cintila, alto e complexo.
E em meio disso tudo
E de todos os sóis,
Diurnos, ou noturnos,
Só uma coisa existe.

É esta graça triste
De te haver esperado
Adormecer primeiro.

É uma lápide negra
Sobre a qual, dia e noite,
Brilha uma chama verde.

Cassiano Ricardo

(1895-1974)

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