Poesia & poemas

29 giugno 2014

Il mio nome

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:23 pm

Forestanotte-vi

Una sera che il prato era verde oro e gli alberi,
marmo venato alla luna, si ergevano come nuovi mausolei
di strida e brusii di insetti, io stavo sdraiato sull’erba,
ad ascoltare le immense distanze aprirsi su di me, e mi chiedevo
cosa sarei diventato e dove mi sarei trovato,
e quanto a malapena esistessi, per un attimo sentii
che il cielo vasto e affollato di stelle era mio, e udii
il mio nome come per la prima volta, lo udii
come si sente il vento o la pioggia, ma flebile e distante
come se appartenesse non a me ma al silenzio
dal quale era venuto e al quale sarebbe tornato.

 

Mark Strand
Traduzione di Damiano Abeni da “Mark Strand, Uomo e cammello”, “Lo specchio” Mondadori Editore, 2007

 
My Name

Once when the lawn was a golden green
and the marbled moonlit trees rose like fresh memorials
in the scented air, and the whole countryside pulsed
with the chirr and murmur of insects, I lay in the grass,
feeling the great distances open above me, and wondered
what I would become and where I would find myself,
and though I barely existed, I felt for an instant
that the vast star-clustered sky was mine, and I heard
my name as if for the first time, heard it the way
one hears the wind or the rain, but faint and far off
as though it belonged not to me but to the silence
from which it had come and to which it would go.
Mark Strand from “Mark Strand, Man and Camel”, Knopf Doubleday Publishing Group , 2008

Neopelicano

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:49 pm

Um dia,
como vira um navio
pra nunca mais esquecê-lo
vi um leão de perto.
Repousava
a anima bruta indivídua.
O cheiro forte, não doce,
cheiro de sangue a vinagre.
Exultava, pois não tinha palavras
e não tê-las prolongava-me o gozo:
é um leão!
Só um deus é assim, pensei!
Sobrepunha-se a ele
um outro animal
radiando na aura
de sua cor maturada.
Tem piedade de mim, rezei-lhe
premida de gratidão
por ser de novo pequena.
Durou um minuto a sobre-humana fé.
Falo com tremor:
eu não vi o leão,
eu vi o senhor.

 

Adélia Prado

(1935)

25 giugno 2014

Per attraversare con te il deserto del mondo

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 6:58 pm

vento

Per attraversare con te il deserto del mondo
Per affrontare insieme il terrore della morte
Per vedere la verità per perdere la paura
Camminai a lato dei tuoi passi

Per te lasciai il mio regno il mio segreto
La mia rapida notte il mio silenzio
La mia perla rotonda e il suo oriente
Il mio specchio la mia vita la mia immagine
E abbandonai i giardini del paradiso

Qua fuori alla luce senza velo del giorno duro
Senza gli specchi vidi che ero nuda
E lo spazio aperto si chiamava tempo

Perciò con i tuoi gesti mi vestisti
E imparai a vivere in pieno vento

Sophia De Mello Breyner Andresen

Traduzione di Roberto Maggiani da “Livro sexto”, 1962

Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen
de “Livro Sexto”, 1962

Entrevista

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 6:51 pm

Um homem do mundo me perguntou:
o que você pensa do sexo?
Uma das maravilhas da criação eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara:
o destino do homem é a santidade.
A mulher que me perguntou cheia de ódio:
você raspa lá? Perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor que vem de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
Se “cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.

Adélia Prado

24 giugno 2014

La poesia

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:10 am

sofia

La poesia mi condurrà nel tempo
Quando non sarò più l’abitazione del tempo
E passerò solitaria
Dentro le mani di chi legge

La poesia qualcuno la dirà
Alle messi

Il suo passaggio si confonderà
Come il rumore del mare con il passare del vento

La poesia abiterà
Lo spazio più concreto e più attento

Nell’aria chiara nelle sere trasparenti
Le sue sillabe rotonde

(O antiche o lunghe
Eterne sere lisce)

Anche se morirò la poesia incontrerà
Una spiaggia dove infrangere le sue onde

E fra quattro pareti dense
Di profonda e divorata solitudine
Qualcuno il suo proprio essere confonderà
Con la poesia nel tempo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

(Traduzione di Roberto Maggiani)

 

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for a habitação do tempo
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

de “Livro Sexto: Obra Poética”, Editorial Caminho, 2003

 

Como um bicho

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:55 am

O ritmo do meu peito é amedrontado
Deus me pega, me mata, vai me comer
o deus colérico.

Tan-tan, tan-tan,
um tambor antiquíssimo na selva
cada vez mais perigoso
porque o dia deserta,
tan-tan, tan-tan,
as estrelas são altas e os répteis astuciosos.
Tan-tan , meu pai, tan-tan,
ó minha mãe,
ponta de faca, dentes,
água,
água, não. Um pastor com a sua flauta no rochedo,
o que nada pode erodir.
Assim meus pés descansam
e minha alma pode dormir.

Tan-tan, tan-tan,
cada vez mais fraco.
Não é meu coração,
é só um tambor.

 

 

Adélia Prado

21 giugno 2014

Non il marmo, né gli aurei monumenti

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:14 pm

shakespeare2

Non il marmo, né gli aurei monumenti
di Principi vivran quanto i miei versi possenti;
ma in questi brillerete di più vivo splendore
che in un sasso sconciato dalle sozzure del tempo.
Quando la guerra rovinosa travolgerà le statue,
e le muraglie verranno sradicate nei tumulti,
né la spada di Marte, né i suoi fuochi veloci struggeranno
il vivente monumento della vostra memoria.
Contro alla morte e contro ogni nemico oblio
Voi durerete, le vostre lodi troveranno luogo
ancora agli occhi di quei posteri estremi
che condurranno questo mondo al finale sfacelo.
Così, sin quando al Giudizio sorgerete in persona,
voi qui vivrete, e abiterete negli sguardi degli amanti.

 

William Shakespeare
Trad. di Alberto Rossi

Sonetto LV

Not marble, nor the gilded monuments
Of princes, shall outlive this powerful rhyme;
But you shall shine more bright in these contents
Than unswept stone besmear’d with sluttish time.
When wasteful war shall statues overturn,
And broils root out the work of masonry,
Nor Mars his sword nor war’s quick fire shall burn
The living record of your memory.
‘Gainst death and all-oblivious enmity
Shall you pace forth; your praise shall still find room
Even in the eyes of all posterity
That wear this world out to the ending doom.
So, till the judgment that yourself arise,
You live in this, and dwell in lover’s eyes.

A missa dos inocentes

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:48 pm

Se não fora abusar da paciência divina
Eu mandaria rezar missa pelos meus poemas que não
conseguiram ir além da terceira ou quarta linha.
Vítimas dessa mortalidade infantil que, por ignorância dos pais,
Dizima as mais inocentes criaturinhas, as pobres…
Que tinham tanto azul em nos olhos,
Tanto que dar ao mundo!
Eu mandaria rezar o réquiem mais profundo
Não só pelos meus
Mas por todos os poemas inválidos que se arrastam pelo mundo
E cuja comovedora beleza ultrapassa a dos outros
Porque está, antes e depois de tudo,
No seu inatingível anseio de beleza.

 

 

Mario Quintana

(1906-1994)

20 giugno 2014

P.S.

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:20 pm

poesia

Siamo poeti.
Vogliateci bene da vivi di più
Da morti di meno
Che tanto non lo sapremo.

Vivian Lamarque

dal libro Una quieta polvere

Dipinto di Susan Hall

A canção que não foi escrita

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 2:29 pm

Alguém sorriu como Nossa Senhora à alma triste do Poeta.
Ele voltou para casa
E quis louvar o bem que lhe fizeram.
Adormeceu…
E toda a noite brilhou no sono dele uma pobre estrelinha perdida.
Trêmula
Como uma luz contra o vento…

Mario Quintana

(1906-1994)

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