Poesia & poemas

2 maggio 2014

Se mi vieni a trovare

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:55 pm

Patrizia_Ercole a 20Anni
“Se mi vieni a trovare
vieni lentamente e con gentilezza
per non spezzare
la fragile porcellana
della mia solitudine.”

Sohrab Sepehri

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Amor – Vida

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:50 am

Vivi entre os homens
Que não me viram, não me ouviram
Nem me consolaram.
Eu fui o poeta que distribui seus dons
E que não recebe coisa alguma.
Fui envolvido na tempestade do amor,
Tive que amar até antes do meu nascimento.
Amor, palavra que funda e consome os seres.
Fogo, fogo do inferno: melhor que o céu.

 
Murilo Mendes

(1901-1975)

SENTIMENTO DEL MONDO

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:42 am

Mare

Ho soltanto due mani
e il sentimento del mondo,
ma sono pieno di schiavi,
i miei ricordi scorrono
e il corpo transige
nella confluenza dell’amore.

Quando mi alzerò, il cielo
sarà morto e saccheggiato,
io stesso sarò morto,
morto il mio desiderio, morto
il pantano senza accordi.

I compagni non hanno detto
che c’era una guerra
e che era necessario
portare fuoco e viveri.
Mi sento disperso,
anteriore a frontiere,
umilmente vi chiedo
che mi perdoniate.

Quando i corpi passeranno
io resterò solo solo
capeggiando la memoria
della guardia, della vedova e del microscopista
che abitavano la baracca
e non furono ritrovati
all’albeggiare

quest’albeggiare
più notte della notte.

Carlos Drummond de Andrade

 
SENTIMENTO DO MUNDO

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

Traduzione dal Portoghese di Antonio Tabucchi

Poema descolocado

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:37 am

1

Ninguém sabe onde terminam
Os caminhos de incêndio
Em que é gostoso dormir.

Perdi-me no labirinto
Para melhor me encontrar.
Os destroços do céu
Desabam sobre mim tremor de pensamento.

2

Beber
Beber um grande copo de tuas lágrimas
Até cair no chão.

Morrer para despistar,
Morrer pelo imprevisto
Pela dama que se apagou.

Murilo Mendes

(1901-1975)

CLAUSOLA

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:29 am

Tanto per non finire:
la morte, già così allegra a viverla,
ora la dovrei morire?

(Non me la sento, d’ucciderla)

Giorgio Caproni

Viver

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:20 am

Patrizia_Ercole_Francia

Mas era apenas isso,
era isso mais nada?
Era só a batida
numa porta fechada?

E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura,
uma chave perdida?

Isso, ou menos que isso,
uma noção de porta,
o projeto de abri-la
sem haver outro lado?

O projeto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?

Como viver o mundo
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?

Carlos Drummond de Andrade

(1902-1987)

PRECETTO

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:06 am

transgressao_martelo

Se mi si vuole uccidere
che si tolgano le stringhe dell’amore.
Non siamo la prima sete
ma la sua cara famiglia.
Colei che pranza la domenica
e rovescia la miseria.
L’incendio ci assedia
e non mangia alla nostra mensa.
A meno che la sua ansia
non sia un altro alimento.
Se mi si vuole uccidere
d’amore, che si danzi ció ch’è aspro.
Qui nulla si fa senza ritmo.

 

 

Edimilson de Almeida Pereira

 

PRECEITO

Se alguém quer matar-me
tire os cardaços do amor.
Não somos a primeira sede
mas sua cara família.
A que almoça o domingo
e vira a miséria pelo avesso.
O incêndio nos assedia
e não come em nossa mesa.
A menos que sua ânsia
seja outro mantimento.
Se alguém quer matar-me
de amor, dance a aspereza.
Nada aqui se faz sem ritmo.

(Traduzione dal Portoghese di Prisca Agustoni).

 

Edimilson de Almeida Pereira è nato nel 1963 a Juiz de Fora, in Brasile, presso la cui Università nel 1986 si é laureato in Letteratura di lingua portoghese, e ha conseguito un master nella stessa area, con una tesi dedicata all’opera di Lobo Antunes, e uno in scienza delle religioni. Con la Professoressa Núbia Pereira de Magalhães Gomes (1940 -1994) ha pubblicato numerosi saggi che analizzano aspetti della cultura popolare da un punto di vista sociologico e antropologico, tra cui i più recenti:Ardis da imagem : exclusão étnica e violência nos discursos da cultura brasileira (2001), Flor do não esquecimento :cultura popular e processos de transformação (2002), Ouro Preto da Palavra : narrativas de preceito do Congado em Minas Gerais (2003).

Nel 2000 ha conseguito il dottorato in Comunicazione e Cultura presso l’Universitá Federale di Rio de Janeiro, con una tesi dedicata alla rappresentazione della popolazione afro-discendente brasiliana nel discorso della tradizione orale e dei mass-media.
Dal 2000 al 2002 ha vissuto a Ginevra, per un Post-dottorato in Letteratura Comparata con un trattato teorico e letterario sulla tradizione della poesia orale di origine banto-cattolica in celebrazioni sincretiche come il Congado.
Insegna ora letteratura portoghese e brasiliana all’Universitá Federale di Juiz de Fora.
Autore di testi per bambini e poeta, per affinità tematiche e stilistiche la sua poesia è sempre più relazionata dai critici brasiliani a quella di alcuni autori africani di lingua portoghese, o delle Antille francesi. Fra le ultime pubblicazioni si ricordano: Zeosório blues : obra poética 1 (2002), Lugares Ares : obra poética 2 (2003),Casa da palavra : obra poética 3 (2003), As coisas arcas : obra poética 4 (2003).

Fonte: http://www.sagarana.it/rivista/numero15/ventonuovo3.html

Definição

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:56 am

1

Um corpo não é um fruto,
embora em tudo se assemelhem:
densa forma,
oculto gosto,
cinco letras
e um pressuposto
poder de vida.

Um corpo é mais que um fruto
que se plante,
que se colha
ou se degluta:

um corpo
é um corpo,
e um corpo
é luta.

Um corpo não é um potro,
embora assim se manifeste:
pêlos mansos,
membros ágeis,
sal na boca
e um desejo
verde pelos campos.

Um corpo é mais que um potro
que pelos prados
e currais se dome:
um corpo
é um corpo,
e um corpo
é fome.

Nem chama
que se anule,
nem espada
em duplo gume
ou máquina
de estrume.

Um corpo
é mais que tudo:
mais que a chave,
mais que a forma,
mais que o leme,
mais que o açude.

Um corpo
é mais que tudo:
é a própria imagem
que eu não pude.

2

O corpo é onde
é carne:

O corpo é onde
há carne
e o sangue
é alarme.

O corpo é onde
é chama:

O corpo é onde
há chama
e a brasa
inflama.

O corpo é onde
é luta:

O corpo é onde
há luta
e o sangue
exulta.

O corpo é onde
é cal:

O corpo é onde
é cal:

O corpo é onde
há cal
e a dor
é sal.

O corpo
é onde
e a vida
é quando.

 

Affonso Romano de Sant’Anna
(1937)

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