Poesia & poemas

19 aprile 2013

GIROVAGO

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:28 pm

inno

In nessuna
parte
di terra
mi posso accasare
A ogni
nuovo
clima
che incontro
mi trovo
languente
che una volta
già gli ero stato
assuefatto
E me ne stacco sempre
straniero
Nascendo
tornato da epoche troppo
vissute
Godere un solo
minuto di vita
iniziale
Cerco un paese
innocente

Giueppe Ungaretti

Illustrazione: Christian Asuh

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Aos deuses sem fiéis

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:22 pm

Talvez a hora escura, a chuva lenta,
Ou esta solidão inconformada.

Talvez porque a vontade se recolha
Neste findar de tarde sem remédio.

Finjo no chão as marcas dos joelhos
E desenho o meu vulto em penitente.

Aos deuses sem fiéis invoco e rezo,
E pergunto a que venho e o que sou.

Ouvem-me calados os deuses e prudentes,
Sem um gesto de paz ou de recusa.

Entre as mãos vagarosas vão passando
A joeira do tempo irrecusável.

Um sorriso, por fim, passa furtivo
Nos seus rostos de fumo e de poeira.

Entre os lábios ressecos brilham dentes
De rilhar carne humana desgastados.

Nada mais que o sorriso retribui
O corpo ajoelhado em que não estou.

Anoitece de todo, os deuses mordem,
Com seus dentes de névoa e de bolor,
A resposta que aos lábios não chegou.

José Saramago  (1922-2010)

7 aprile 2013

NUMMERI

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:37 pm

DaumierCritic

– Conterò poco, è vero:
– diceva l’Uno ar Zero
– ma tu che vali?
Gnente: propio gnente.

Sia ne l’azzione come ner pensiero
rimani un coso voto e inconcrudente.
lo, invece, se me metto a capofila
de cinque zeri tale e quale a te,
lo sai quanto divento? Centomila.

È questione de nummeri. A un dipresso
è quello che succede ar dittatore
che cresce de potenza e de valore
più so’ li zeri che je vanno appresso.

Trilussa (1944)

Alongo-me

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:22 pm

O rio nasce
toda a vida.
Dá-se
ao mar a alma vivida.
A água amadurecida
a face
ida.
O rio sempre renasce.
A morte é vida.

Guimarães Rosa  (1908-1967)

2 aprile 2013

Sera d’aprile

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:21 am

luna 2

Batte la luna soavemente
di là dei vetri
sul mio vaso di primule:
senza vederla la penso
come una grande primula anch’essa
stupita
sola
nel prato azzurro del cielo.

 

Antonia Pozzi

1 aprile 2013

Tomara

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:47 pm

Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz

E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais

Vinicius de Moraes  (1913-1980)

Fotografare

Filed under: Cibercultura — patriziaercole @ 7:43 pm

fotografare

Non mi sono mai chiesto perché scattassi delle foto.
In realtà la mia è una battaglia disperata
contro l’idea che siamo tutti destinati a scomparire.
Sono deciso ad impedire al tempo di scorrere.
È pura follia.

Robert Doisneau

Amor mais que imperfeito

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:39 pm

Não do amor. De mim duvido.
Do jeito mais que imperfeito
que ainda tenho de amar.

Com frequência reconheço
a minha mão escondida
dentro da mão que recebe
a rosa de amor que dou.

Espiando o meu próprio olhar,
escondido atrás estou
dos olhos com que me vês.
Comigo mesmo reparto
o que pretende ser dádiva,
mas de mim não se desprende.

Por mais que me prolongue
no ser que me repete,
de repente me sinto
o dono da alegria
que estremece a pele
e faz nascer luas
no corpo que abraço.

Não do amor. De mim duvido
quando no centro mais claro
da ternura que te invento
engasto um gosto de preço.
Mesmo sabendo que o prêmio
do amor é apenas amar.

Thiago de Mello  (1926)

La primavera ritorna sul mondo.

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:29 pm

emily

La primavera ritorna sul mondo.
Guardo l’aprile, che non ha colori
Per me, finché tu venga,
Come prima del giungere dell’ape
Restano inerti i fiori,
Destati all’esistenza da un ronzio.

Emily Dickinson (c. 1865)

Noturno

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:24 pm

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
este tormento
ainda pode acabar?

De dia e de noite,
meu sonho combate:
vem sombras, vão sombras,
não há quem o mate!

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
as armas que invento
são aromas no ar!

Mandai-me soldados
de estirpe mais forte,
com todas as armas
que levam à morte!

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
meu pensamento
não sabe matar!

Mandai-me esse arcanjo
de verde cavalo,
que desça a este campo
a desbaratá-lo!

Suspiro do vento,
lágrima do mar,
que leve esse arcanjo meu longo tormento,
e também a mim, para o acompanhar!

Cecília Meireles  (1901-1964)

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