Poesia & poemas

30 aprile 2012

LA SETE E LA ROSA

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:30 pm

Pochi sanno che la rosa ha sete
e pensano che Dio l’abbia creata per loro,
la mettono sul seno
di vecchie baldracche
e la lasciano morire nell’ombra.
L’amatore stacca la rosa
e la regala ad un’altra
e pensa di farle un dono.
La rosa muore di malinconia,
diventa un gambo
ed a lungo andare un chiodo.
Così verrà un giorno
che il mondo sarà pieno di chiodi
perché nessuno ha dato
da bere alla rosa.
Così quando io scrivo i miei versi
tu credi di meritarli
e li metti sulla punta d’uno spillo
e li doni a una stupida ragazza.

Alda Merini

29 aprile 2012

Para ti

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:05 pm

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto

La voce

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:52 pm

Ero sul punto in cui son chiusi ancora
gli occhi, ma la memoria a noi ritorna,
quando una voce mi chiamò nel sonno.
Voce di spazio; e pur parea venire
da una bocca vicina alla mia bocca
e mover l’aria presso il mio respiro.
Diceva: “Ada” “Ada”, soltanto, in due
note d’irresistibile dolcezza.
Oh, non del mondo. Oh, non v’è più nessuno
che mi chiami, nel mondo. Una celeste
serenità rideva in quella voce
così mutata di quand’era in terra
a parlarmi d’amore. E nel mio sonno
io non la riconobbi; e non risposi.

Ma tornerà. Venuta era per dirmi
(più vi ripenso e più io credo, in cuore)
che l’ora viene: ch’io sia pronta; e nulla
porti con me, fuor che l’ardore antico.
Io sono pronta. E sol per la certezza
di risentir da quella voce il mio
nome, or vivo; e seguirla. E il corpo resti,
che tanto pianse; e lo raccolga l’alba.

Ada Negri

A Múmia V

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:32 pm

Porque abrem as cousas alas para eu passar?
Tenho medo de passar entre elas, tão paradas conscientes.
Tenho medo de as deixar atrás de mim a tirarem a Máscara.
Mas há sempre cousas atrás de mim.
Sinto a sua ausência de olhos fitar-me, e estremeço.

Sem se mexerem, as paredes vibram-me sentido.
Falam comigo sem voz de dizerem-me as cadeiras.
Os desenhos do pano da mesa têm vida, cada um é um abismo.
Luze a sorrir com visíveis lábios invisíveis
A porta abrindo-se conscientemente
Sem que a mão seja mais que o caminho para abrir-se.

De onde é que estão olhando para mim?
Que cousas incapazes de olhar estão olhando para mim?
Quem espreita de tudo?

As arestas fitam-me.
Sorriem realmente as paredes lisas.
Sensação de ser só a minha espinha.

As espadas.

Fernando Pessoa

L’erba ha così poco da fare…

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:26 pm

L’erba ha così poco da fare

– sfera di semplice verde –

per allevare le farfalle

e far divertire le api.

Emily Dickinson

25 aprile 2012

Sobrevivi à morte sucessiva das coisas do teu quarto…

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:56 pm


Sobrevivi à morte sucessiva das coisas do teu quarto
Vi pela primeira vez a inútil simetria dos tapetes
E o azul diluído, azul-branco das paredes
E uma fissura de um verde anoitecido na moldura de prata
E nela o meu retrato adolescente e gasto.
E as gavetas fechadas. Dentro delas aquele todo
Silencioso e raro como um barco de asas.
Que fome de tocar-te nos papéis antigos!
Que amor se fez em mim, multiforme e calado!
Que faces infinitas eu amei para guardar teu rosto primitivo!

Desce da noite um torpor singular
Água sob o casco de um velho veleiro calcinado
Em mim o grande limbo de lamento e dor
E o medo de esquecer-te, de soltar estas âncoras
E depois florir sem ao menos guardar a tua ressonância
Abraça-me. Um quase nada de luz pousou na tua mesa
E expandiu-se na cor, como um pequeno prisma.

Hilda Hilst

IL BANDOLO

Filed under: Canzoni,Poesie — patriziaercole @ 7:37 pm

Non essere triste.

Alza alta la mano.

Ti vedono gli uccelli.

Sei un fiore per loro.

Ti vede il sole:

per lui sei lo stoppino

della grande candela.

Ti vedono le stelle:

per loro sei tu il bandolo

del mondo matassa.

 

Roberto Piumini

O amor quando se revela

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:28 pm

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa‏

23 aprile 2012

La piccola città

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 1:32 pm

Nacqui in una piccola città e in una piccola casa
sotto l’intreccio verde d’una vite.
Per questo ho tanta voglia di scoprire
tutto quanto è nel mondo.
L’uno con l’altro ci si conosceva nella città,
si camminava adagio,
ci si fermava per la strada e a lungo
l’uno con l’altro ci si interrogava:
– Come stai? Come va?

Ricordo nella piccola città
i vicini donarsi dalla soglia
il pane, i fiori da trapianto, ecc …
o scambiarsi attraverso i muriccioli
fuoco, notizie e una parola buona.

Oh se la gente
del mondo, sorda, estranea, decidesse
di porgersi, attraverso le barriere,
di propria iniziativa, mani e cuore!

Ringrazio la mia piccola città
d’avermi spalancato gli occhi
di meraviglia verso il mondo intero,
occhi di provinciale ma insaziabili,
che sempre crederanno e cercheranno,
lungo il cammino, d’incontrare quanti
porgono una parola di conforto,
o un po’ di fuoco, o un consiglio, ecc…

Blaga Dimitrova

21 aprile 2012

O sofrimento…

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:26 pm

O sofrimento é um mestre que nos vem
apequenar, fogo que nos abrasa
miudamente: isola-nos da vida,
empareda-nos e nos deixa só.

Amesquinham-se amor e sapiência,
confiança e esperança se adelgaçam
e fogem; com paixão ciumenta e rude,
o sofrimento nos faz e desfaz.

O eu – forma terrena – se contorce
e se bate e resiste em meio às chamas,
depois todo se afunda e silencia;
e eis que também o mestre renuncia.

Hermann Hesse

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