Poesia & poemas

30 aprile 2011

LA POESIA TI RIGUARDA

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:57 pm

La poesia ti riguarda
dopo che ti ha guardato:
prima che tu la perda
lei ti ha ritrovato.
Con fatti di parole
ti spiega il tuo pensiero:
fiammiferino sole
si accende sul sentiero.
Con succo di sorriso
ti medica gli errori:
rinchiuso nel preciso
lei ti riporta fuori.
La poesia sta nel mondo
come i pesci nel mare:
più il buio è profondo
più si sa illuminare.
Con nomi sorprendenti
battezza il tuo creato:
un’eco che tu senti
prima di aver gridato.
La poesia ti rivela
dopo che ti ha svelato:
danza di una candela
che col sole ha danzato.

Roberto Piumini

da “Sole, scherzavo” – Nuove Edizioni Romane, 2000

Anfiguri

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:56 pm

Aquilo que eu ouso
Não é o que quero
Eu quero o repouso
Do que não espero

Não quero o que tenho
Pelo que custou
Não sei de onde venho
Sei para onde vou

Homem, sou a fera
Poeta, sou um louco
Amante, sou pai

Vida, quem me dera
Amor, dura pouco
Poesia, ai!…

Vinicius de Moraes

29 aprile 2011

Eterno

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:33 pm

Tra un fiore colto e l’altro donato

l’inesprimibile nulla

Giuseppe Ungaretti

O Guardador de Rebanhos

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:30 pm

Sou um guardador de rebanhos,
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.”

“Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?

Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?

Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.

Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira.
E a mentira está em ti.

Alberto Caeiro

(Cantos IX e X, de “O Guardador de Rebanhos”, 1914)

Alberto Caeiro foi o primeiro heterônimo a surgir – e o único a morrer (de tuberculose) por obra do seu criador. Deixava confuso Fernando Pessoa, homem da cidade, exatamente por ter enorme apego ao campo, à natureza, a ponto de ter escrito um longo poema chamado “O Guardador de Rebanhos”. Mesmo assim, Pessoa o elegeu mestre dos heterônimos. Apoiada na experiência sensorial, sua poesia procura alcançar um ideal: desaprender o foi aprendido para poder conhecer a si mesmo, ao outro e ao mundo.

La vita

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:20 pm

La vita – è il solo modo
per coprirsi di foglie,
prendere fiato sulla sabbia,
sollevarsi sulle ali;
essere un cane,
o carezzarlo sul suo pelo caldo;
distinguere il dolore
da tutto ciò che dolore non è;
stare dentro gli eventi,
dileguarsi nelle vedute,
cercare il più piccolo errore.
Un’occasione eccezionale
per ricordare per un attimo
di che si è parlato
a luce spenta;
e almeno per una volta
inciampare in una pietra,
bagnarsi in qualche pioggia,
perdere le chiavi tra l’erba;
e seguire con gli occhi una scintilla di vento;
e persistere nel non sapere
qualcosa d’importante.

Wislawa Szymborska

26 aprile 2011

Sina

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:14 pm

quando eu era menina,
a verdade parecia estar nos livros:
ali moravam as respostas
e nasciam os nomes.

quanto mais procurei,
mais me perdi
na trilha das indagações:
as respostas não vinham,
a verdade era miragem,
a busca era melhor que a descoberta,
e nunca se chegava.

(Viver era mesmo sentir aquela fome.)

Lya Luft

A DOMANI

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:01 pm

– A domani! – dici tu e già te ne vai.
Con sguardo impaurito io t’accompagno.
A domani?… Ma domani è immensamente lontano.
Davvero tante ore fra noi si porranno?

Fino a domani per me sarà ignota
l’ombra mutevole della tua fronte,
il discorso ardente e pulsante della mano,
dei tuoi pensieri il fluire segreto.

Prima di domani, se vorrai bere, non potrò
essere la tua fonte. Se il freddo
ti avvolge – non sarò il tuo fuoco.
Se hai timore del buio – la tua luce.

– A domani! – tu dici e parti
e non senti nemmeno che non hai risposta.
– Al giorno estremo! – mi aspettavo dicessi
e rimanessi con me fino al giorno estremo.

Blaga Dimitrova

O vento na ilha

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:57 pm

O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.

Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama calopando
para me levar para longe.

Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopandanto eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite

descansarei, amor meu.

Pablo Neruda

25 aprile 2011

TESTAMENTO

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:30 pm

Cercami nelle parole
che non ho trovato

Blaga Dimitrova

O pastor amoroso

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:18 pm

IV

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
Fernando Pessoa

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