Poesia & poemas

31 agosto 2010

Agosto

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:40 pm

Agosto.
Controluce a tramonti
di pesca e zucchero.
E il sole dentro la sera
come il nocciolo nel frutto.

La pannocchia serba intatta
la sua risata gialla e dura.

Agosto.
I bambini mangiano
pane nero e luna piena.


Federico Garcia Lorca

Federico Garcia Lorca nasce il 5 giugno 1898 a Fuentevaqueros, provincia di Granada.

“Tutta la mia infanzia è campagnola: campagna, cielo, solitudine”.

All’alba del 19 agosto 1936 è fucilato a Viznar, presso Granada. Il 21 gli assassini vanno a vendere la sua penna e la medaglia d’oro che gli avevano dato a Cuba.

Olho as Minhas Mãos

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:18 pm

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas. Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar…
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras !
Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço ?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar.
Mas nada, disso tudo, diz: “existo”.
Porque apenas existem…
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar…
Nem na estrela do céu nem na estrela do mar
Foi este o fim da Criação !
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos ?
Quem faz – em mim – esta interrogação ?

Mario Quintana

NEL NOME DELLE COSE

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:04 pm

Tutte le cose
hanno il loro nome,
e aspettano di essere
chiamate.
Perfino i sogni,
sfuggenti per natura…
se scegli un nome bello
si lasciano afferrare.

Maria Grazia Nigi

http://www.mariagrazianigi.it/

30 agosto 2010

Inocência

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 6:50 pm

Ó meu anjo, vem correndo,
Vem tremendo
Lançar-te nos braços meus;
Vem depressa, que a lembrança
Da tardança
Me aviva os rigores teus.
Do teu rosto, qual marfim,
De carmim
Tinge um nada a cor mimosa;
É belo o pudor, mas choro,
E deploro
Que assim sejas medrosa.
Por inocente tens medo
De tão cedo,
De tão cedo ter amor;
Mas sabe que a formosura
Pouco dura,
Pouco dura, como a flor.
Corre a vida pressurosa,
como a rosa,
Como a rosa na corrente.
Amanhã terás amor?
Como a flor,
Como a flor fenece a gente.
Hoje ainda és tu donzela
Pura e bela,
Cheia de meigo pudor;
Amanhã menos ardente
De repente
Talvez sintas meu amor.
Gonçalves Dias
Não sou areia

Não sou areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
não sou apenas a pedra que rola
na marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft

Svegliandomi il mattino…

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 6:43 pm

Svegliandomi il mattino, a volte provo
sì acuta ripugnanza a ritornare
in vita, che di cuore farei patto
in quell’istante stesso di morire.

Il risveglio m’è allora un altro nascere;
ché la mente lavata dall’oblìo
e ritornata vergine nel sonno
s’affaccia all’esistenza curiosa.
Ma tosto a lei l’esperienza emerge
come terra scemando la marèa.
E così chiara allora le si scopre
l’irragionevolezza della vita,
che si rifiuta a vivere, vorrebbe
ributtarsi nel limbo dal quale esce.

lo sono in quel momento come chi
si risvegli sull’orlo d’un burrone,
e con le mani disperatamente
d’arretrare si sforzi ma non possa.

Come il burrone m’empie di terrore
la disperata luce del mattino.

Camillo Sbarbaro

29 agosto 2010

Mágoa

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:32 am

Medas de trigo ao sol – Agosto.
Tudo o calor do sonho amadurece;
Só a verde amargura do meu rosto
Permanece.

Até me lembro que não sou da vida!
Que não pertence à terra esta tristeza…
Que sou qualquer desgraça acontecida
Fora do seio-mãe da natureza.

E contudo não sei de criatura
Que mais deseje ter esta alegria
De um fruto azedo que arrancou doçura
Do céu, das pedras e da luz do dia.

Miguel Torga

Ti amai

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:27 am

Ti amai – anche se forse
ancora non è spento
del tutto l’amore.

Ma se per te non è più tormento
voglio che nulla ti addolori.

Senza speranza, geloso,
ti ho amata nel silenzio e soffrivo,
teneramente ti ho amata
come – Dio voglia – un altro possa amarti.

Aleksander Puskin

28 agosto 2010

Canção de Outono

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:47 pm

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão…

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão..

Cecília Meireles

Il risveglio del vento

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:37 pm

Nel colmo della notte, a volte accade
che si risvegli, come un bimbo, il vento.

Solo, pian piano, vien per il sentiero,
penetra nel villaggio addormentato.

Striscia, guardingo, sino alla fontana,
poi si sofferma, tacito, in ascolto.

Pallide stan tutte le case, intorno;
tutte le querce, mute.

Rainer Maria Rilke

27 agosto 2010

A MINHA MÃE

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 5:39 pm

Quando ela acabou, foi colocada na terra
Flores nascem, borboletas esvoejam por cima…
Ela, leve, não fez pressão sobre a terra
Quanta dor foi preciso para que ficasse tão leve!

[A mia madre]

Quando non ci fu più, la misero nella terra.
Sopra di lei crescono i fiori, celiano le farfalle…
Lei era leggera, premeva la terra appena.
Quanto dolore ci volle per farla così leggera!

Bertolt Brecht

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