Poesia & poemas

29 aprile 2010

Timidezza

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 7:19 pm

Appena seppi, solamente, che esistevo
e che avrei potuto essere, continuare,
ebbi paura di ciò, della vita,
desiderai che non mi vedessero,
che non si conoscesse la mia esistenza.

Divenni magro, pallido, assente,
non volli parlare perché non potessero
riconoscere la mia voce, non volli vedere
perché non mi vedessero,
camminando, mi strinsi contro il muro
come un’ombra che scivoli via.

Mi sarei vestito
di tegole rosse, di fumo,
per restar lì, ma invisibile,
essere presente in tutto, ma lungi,
conservare la mia identità oscura,
legata al ritmo della primavera.


Pablo Neruda
da Memorial de l’Isla Negra, Nuova Accademia

Crescer

Filed under: Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 6:40 am

Quando eu era menino, os mais
velhos perguntavam:
– Que é que você quer ser quando
crescer?

Hoje não me perguntam mais. Se
me perguntassem, eu diria que
quero ser menino.

Fernando Sabino no livro O Menino no Espelho

Crescere

Quando ero un bambino, i più
grandi, mi domandavano:
– Che cosa vuoi essere
da grande?

Oggi non me lo chiedono più. Se
me lo damandassero, gli direi che
vorrei essere un bambino.

traduzione di Patrizia Ercole – aprile 2010

Nesta obra, o menino Fernando, que vem a ser o próprio autor, vive todas as fantasias de sua infância, através de aventuras mirabolantes.
Ensina uma galinha a conversar, aprende a voar com os pássaros, fica invisível, encontra-se com Tarzan e Mandrake, visita o sítio do Pica Pau Amarelo, torna-se agente secreto e campeão de futebol, vive aventuras na selva, enfrenta o valentão da sua escola.
E, no menino que vê refletido no espelho, descobre o melhor de si mesmo, a projeção do ideal de pureza que só uma criança pode alcançar – simbolizada na libertação dos passarinhos.

Foto di Patrizia Ercole © Centro Comunitário “Oscar Romero” – São Paulo (Brasil) 2006

28 aprile 2010

GRADINI

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:38 pm

Come ogni fior languisce e giovinezza
cede a vecchiaia, anche la vita in tutti
i gradi suoi fiorisce, insieme ad ogni
senno e virtù, né può durare eterna.
Quando la vita chiama, il cuore sia
pronto a partire ed a ricominciare,
per offrirsi sereno e valoroso,
ad altri, nuovi vincoli e legami.
Ogni inizio contiene una magia
che ci protegge e a vivere ci aiuta.

Dobbiamo attraversare spazi e spazi
senza fermare in alcun d’essi il piede,
lo spirto universal non vuol legarci
ma su di grado in grado sollevarci.
Appena ci avvezziamo ad una sede
rischiamo di infiacchire nell’ignavia;
sol chi è disposto a muoversi e partire
vince la consuetudine inceppante.

Forse il momento stesso della morte
ci farà andare incontro a spazi nuovi;
della vita il richiamo non ha fine…
Su, cuore mio, congedati e guarisci!

Hermann Hesse – Traduzione di Ervino Pocar

27 aprile 2010

Silêncio

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:17 pm

Há um grande silêncio que está sempre à escuta.

E a gente se põe a dizer inquietamente qualquer coisa,
qualquer coisa, seja o que for,
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje
até a tua dúvida metafísica, Hamleto!

E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta…
e cala.

Mario Quintana
(1906-1994)

Il distacco dal mondo

Filed under: Libri — patriziaercole @ 8:12 pm

Ho trovato, amore mio, il nome più segreto
e più chiaro per dire ciò che è la tua vita
dentro la mia: l’aria. Sei l’aria che non mi
manca mai, quell’aria così necessaria al pensiero
e al riso, quell’aria che rinfresca il mio cuore e
fa della mia solitudine un posto battuto dai venti.

Christian Bobin dal libro Il distacco dal mondo – Editore Servitium

Il “distacco dal mondo” è espressione della tradizione spirituale, ascetica, cui spesso è stata data una connotazione negativa. Bobin ne recupera in questo libretto tutta l’essenzialità vitale, liberatoria e costruttiva per l’uomo. Il distacco infatti è vera azione amorosa. “L’amore è distacco, oblio di sé. Non possiamo arrivarci con le nostre forze, perché tutte le nostre forze sono costantemente impiegate nell’ammassare il mondo alla superficie del nostro “io”.”

O que salva o amor…

Filed under: Libri — patriziaercole @ 8:06 pm

A verdade não mora no que se diz,
Mas no COMO é dito
Ela não está na letra;
Está na música.
Pouco importa que você esteja certo e que o outro seja
o culpado.
Os fatos não salvarão o seu amor.
O que salva o amor é a música com que falamos…

A fala só é bonita
quando ela nasce de uma
longa e silenciosa escuta.
É na escuta que o amor
começa. E é na não-escuta
que ele termina.

O amor vive no sutil fio da conversação,
Balançando-se entre a boca e o ouvido.

Rubem Alves

26 aprile 2010

L’esperienza è una strada tortuosa…

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:51 pm

L’esperienza è una strada tortuosa
che la mente – paradossalmente –
preferisce alla mente stessa –
con la presunzione di far strada.

Proprio al contrario – Quanto contorta
l’autodisciplina dell’uomo –
che lo costringe a scegliersi con le sue stesse mani
i dolori cui è stato destinato in precedenza.

Emily Dickinson, in Silenzi, 1864

AS TRÊS EXPERIÊNCIAS

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:49 pm

Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. “O amar os outros” é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida . Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.
Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.

Clarice Lispector

25 aprile 2010

Vedere l’avvenire…

Filed under: Libri — patriziaercole @ 8:21 pm

Vedere l’avvenire è un dono più diffuso di quanto si creda:
tutti gli innamorati lo possiedono.
Lo sa sempre chi si sposa.
Si sa – o si sente, come tu vorrai –
quale tipo di vita si avrà con lui.
Ma talvolta l’amore è così forte
che non c’è niente da fare:
si può davvero andare,
in tutta coscienza,
verso la propria infelicità.

Christian Bobin

INVENÇÃO DA ALEGRIA

Filed under: Libri,Poesie,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 8:09 pm

Há quem cultive a dor,
Eu invento a alegria.
De todo o meu amor,
Que vale mais que o dia,
Quero legar a história,
Quero deixar ao vento
(sem ais e sem lamento)
Uma justa memória
E enxuta fantasia.

Há quem celebre a morte,
Eu festejo a alegria.
Por graça ou por esporte
Ou mesmo por mania,
Quero inventar a vida,
Quero o melhor carinho
Doar a meu vizinho
Como a melhor partida
De sonho ou de poesia.

Há quem festeje o pranto,
Eu invento a alegria,
Razão maior do canto,
Antes que a cotovia
Arquive o nosso idílio,
Cancele o meu futuro,
Razão maior do puro
Clarão deste meu círio
Votado à alegria.

Poeta Antônio Lázaro de Almeida Prado no livro CICLO DAS CHAMAS E OUTROS POEMAS

Invenzione dell’allegria

C’è chi coltiva il dolore,
io invento l’allegria.
Di tutto il mio amore,
che vale più del giorno,
voglio trasmettere alla storia,
voglio lasciare al vento
(senza pianti e senza lamento)
una giusta memoria
e asciutta fantasia.

C’è chi celebra la morte,
io festeggio l’allegria.
Per grazia o per sport
o solo per mania,
voglio inventare la vita,
voglio la migliore carezza
donare al mio vicino
come la migliore partita
di sogno o di poesia.

C’è chi festeggia il pianto,
io invento l’allegria,
ragione suprema del canto,
prima che l’allodola
archivi il nostro idillio,
cancelli il mio futuro,
ragione maggiore del puro
bagliore di questo mio cero
votato all’allegria.

traduzione Patrizia Ercole

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