Poesia & poemas

30 marzo 2010

Poema esquisito

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:30 pm

mamma_g

Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa.
Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo
de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra que, se para chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros,
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia.

Adélia Prado – Mais sobre Adélia Prado em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ad%C3%A9lia_Prado – na foto minha mãe

SE GIÀ IO MADRE NON AVESSI AVUTO

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 11:56 am

MarcoDario2

Se già io madre non avessi avuto
che nella culla-corpo nove mesi
mi tenne e nutrì segreto e muto
sentendo zuccherare i seni tesi,

se non fossi come sono amante
rimescolando nella tua figura
insieme alla mia desiderante
il lievito gioioso che affutura,

vorrei che fossi stata tu mia madre,
né più né meno: esserti creatura,
fin da principio, da qualunque padre,

vorrei che tu mi avessi generato:
fin dall’inizio essere avvenuto
in te, leggero e vivo innamorato.

di Roberto Piumini

dal libro L’amore in forma chiusa, Il Melangolo 1997. Una raccolta di sonetti, tutti d’argomento amoroso. Come un canzoniere del Trecento trasferito nell’oggi. http://www.robertopiumini.it – Foto di Patrizia Ercole ©

Dia Mundial de Teatro – 27 Março, 2009

Filed under: Formazione,Teatro — patriziaercole @ 8:42 am

Augusto Boal

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa – nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: – “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento – é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Augusto Boal

28 marzo 2010

La timidezza…

Filed under: Libri — patriziaercole @ 10:13 am

La timidezza è fonte inesauribile di disgrazie
nella vita pratica,
eppure è la causa diretta, anzi unica,
di ogni ricchezza interiore.

E.M. Cioran nel libro Squartamento, Adelphi, 1981

Ser Criança…

Filed under: Cibercultura,Poesie — patriziaercole @ 10:11 am

DSC01404

Ser criança é achar que o mundo é feito de fantasias,
sorrisos e brincadeiras.
Ser criança é comer algodão doce e se lambuzar.
Ser criança é acreditar num mundo cor de rosa,
cheio de pipocas.
Ser criança é olhar e não ver o perigo.
Ser criança é sorrir e fazer sorrir.
Ser criança é chorar sem saber porque.
Ser criança é querer ser feliz.
Ser criança é se esconder para nos preocupar.
Ser criança é errar e não assumir o erro.
Ser criança é pedir com os olhos.
Ser criança é derramar uma lágrima para nos sensibilizar.
Ser criança é isso e muito mais.
É nos ensinar que a vida, apesar de difícil,
pode tornar-se fácil com um simples sorriso.
É nos ensinar que criança só quer carinho e afeto.
É nos ensinar que, para sermos felizes,
basta apenas olharmos para uma criança.

Nilse Caldas César – Foto di Patrizia Ercole © Centro Comunitário “Oscar Romero” – São Paulo (Brasil) 2006.

26 marzo 2010

Pensieri di Christian Bobin

Filed under: Libri — patriziaercole @ 4:39 pm

Un letto di luce, una sedia di silenzio, una tavola di speranza, null’altro:
così è la stanzetta in cui vive in affitto l’anima.

In cielo c’è una stella per ciascuno di noi,
sufficientemente lontana perché i nostri errori non possono mai offuscarla.

Alla mia nascita una fata si è chinata sulla mia culla dicendomi:
“Assaporerai soltanto una parte minuscola di questa vita e in cambio la percepirai tutta”.

Una donna graziosa che non si preoccupa affatto di piacere è subito senza rivali,
all’apice di ogni bellezza, proprio come le rose e le sante.

Ho trovato Dio nelle pozzanghere d’acqua, nel profumo del caprifoglio,
nella purezza di certi libri e persino in certi atei.
Non l’ho quasi mai trovato presso coloro il cui mestiere consiste nel parlarne.

Non sono la bellezza, la forza e la mente che amo in una persona,
bensì l’intelligenza del legame che ella ha saputo stringere con la vita.

La maggior parte degli incontri che faccio non lasciano nessuna traccia nella mia memoria.
Significa dunque che hanno luogo solo in apparenza.
Le nostre immagini si sono parlate, ma non i nostri cuori.

Un libro, un vero libro non è qualcuno che ci parla,
è qualcuno che ci ascolta, che sa ascoltarci.

Io non scrivo libri, taglio specchi.

Scrivere è amare di rimando.

Christian Bobin, alcuni suoi pensieri tratti da Resuscitare, Gribaudi, Milano 2003 e da “Autoritratto”.

Não se possui ninguém…

Filed under: Libri — patriziaercole @ 4:35 pm

O amor de alguém é um presente tão inesperado e tão pouco merecido que devemos espantar-nos que não no-lo retirem mais cedo. Não estou inquieto por aqueles que ainda não conheces, ao encontro de quem vais e que porventura te esperam: aquele que eles vão conhecer será diferente daquele que eu julguei conhecer e creio amar. Não se possui ninguém (mesmo os que pecam não o conseguem) e, sendo a arte a única forma de posse verdadeira, o que importa é recriar um ser e não prendê-lo. Gherardo, não te enganes sobre as minha lágrimas: vale mais que os que amamos partam quando ainda conseguimos chorá-los. Se ficasses, talvez a tua presença, ao sobrepor-se-lhe, enfraquecesse a imagem que me importa conservar dela. Tal como as tuas vestes não são mais que o invólucro do teu corpo, assim tu também não és mais para mim do que o invólucro de um outro que extraí de ti e que te vai sobreviver. Gherardo, tu és agora mais belo que tu mesmo.

Só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos.

Marguerite Yourcenar, in “Sistina”

Molta follia è saggezza divina

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 3:54 pm

Molta follia è saggezza divina
per chi è in grado di capire
Molta saggezza pura follia
Ma è la maggioranza in questo, in tutto, che prevale
Conformati: sarai sano di mente
Obietta: sarai pazzo da legare
Immediatamente pericoloso e presto incatenato.

Emily Dickinson (1862 n. 435)

E’ il palpitare di questi versi, che costituisce il vero mistero della Dickinson, la modernità di un poetare che è specchio del Mondo nella sua interezza ed in ogni sua sfumatura, Mondo che, per assurdo, ella non visse.
Il Mistero è nell’immortalità dei suoi versi che non possono e non potranno mai avere una collocazione precisa nel panorama letterario di tutti i tempi: essi sorvolano gli anni, sfiorandoli.
E non si posano, replicando all’infinito il loro slancio vitale. (dall’articolo di A. Romano http://www.fenyce.org/emily_dickinson.html)

Emily Dickinson Nasce il 10 dicembre 1830 ad Amherst (Massachussetts), in un piccolo centro di religione e cultura puritana, da Edward, celebre avvocato destinato a diventare deputato del Congresso, ed Emily Narcross.
Dal 1840 al 1847 frequenta la Amherst Academy e successivamente si iscrive alle scuole superiori di South Hadley, da cui viene ritirata dal padre dopo un anno.
La poetessa conduce, a partire dalla maturità, una vita ritirata arricchita da numerose amicizie letterarie. Il 1860 è l’anno del furore poetico (365 liriche) e sentimentale. Nello stesso anno avvia una corrispondenza con il colonnello Thomas W. Higginson,letterato di fama.
Pubblica, a partire dal 1861, alcuni suoi componimenti sullo Springfiel Daily Republican, diretto dall’amico Samuel Bowles. Incomincia a raccogliere segretamente i propri versi in fascicoletti.Tra il 1864 e il 1865 Emily trascorre alcuni mesi a Cambridge, Massachusetts ospite delle cugine Norcross, per curare una malattia agli occhi.
Nel 1885 si ammala,e il 15 maggio 1886 muore nella casa di Amherst. La sorella Vinnie scopre i versi nascosti e incarica Mabel Todd di provvedere alla loro pubblicazione, che sarà sempre parziale fino all’edizione critica completa (1955) curata da Thomas H. Johnson, comprendente 1775 poesie.

24 marzo 2010

A idade não protege contra o amor…

Filed under: Cibercultura — patriziaercole @ 1:18 pm

File0009_MM

A idade não protege contra o amor. Mas o amor, em certa medida, protege contra a idade.

Moral é o que nos permite ser fiéis a nós mesmos.

Quando descubro que o homem pelo qual estou apaixonada se interessa por alguém além de mim, subitamente deixo de existir. É uma angústia terrível. Só me resta um desejo: ficar metida na cama.

Se você for dolorosamente temeroso em relação à idade, ela se mostrará mais. A vida não acaba aos 30. Idade é só um número.

Sentimo-nos sozinhos. Os homens são sozinhos e lutam para evitá-lo. Nós não tentamos evitá-lo. Sabemos que estamos sós nos acontecimentos mais importantes dos nossos corpos, das nossas vidas.

Temos tantas palavras para os estados mentais, e tão poucas para o estado do corpo.

Jeanne Moreau, atriz francesa

Acordar Viver

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 1:12 pm

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)

Svegliarsi Vivere

Come svegliarsi senza sofferenza?
Ricominciare senza orrore?
Il sonno mi ha trasportato
in quel regno in cui non esiste vita
e io resto inerte senza passione.
Come ripetere, giorno dopo giorno dopo giorno,
la fiaba senza finale,
sopportare la somiglianza dei fatti aspri
di domani ai fatti aspri di oggi?
Come proteggermi dalle ferite
con cui mi dilania l’accadimento
qualsiasi accadimento
che ricorda la Terra e la sua porpora
demente?
E poi quella ferita che mi infliggo
ad ogni istante, carnefice
dell’innocente che non sono?
Nessuno risponde, la vita è petrosa.

traduzione di Tiziana Tonon

Pagina successiva »

Blog su WordPress.com.