Poesia & poemas

28 febbraio 2010

Lápide 1

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:51 pm

(epitáfio para o corpo)

Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

Paulo Leminski (1944-1989)

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Per amore

Filed under: Libri — patriziaercole @ 7:43 pm

È sempre per amore che soffriamo;
anche quando crediamo di non soffrire per niente.

Christian Bobin

VER e OLHAR…

Filed under: Libri,Traduzioni Patrizia — patriziaercole @ 7:26 pm

E ela compreendeu que o olho só vê
aquilo que o coração deseja.
Quando o desejo é belo,
o mundo fica cheio de luz,
mas quando o desejo é ruim,
o mundo se entristece…

Vedere e guardare. E lei capì che gli occhi vedono soltanto quello che il cuore desidera. Quando il desiderio è bello, il mondo è pieno di luce, ma quando il desiderio è brutto, il mondo si rattrista…

Rubem Alves do livro “A toupeira que queria ver o cometa” – editora: Loyola

Ser adulto é ser cego
São as crianças que vêem as coisas – porque elas vêem sempre pela primeira vez com espanto, com assombro de que elas sejam do jeito como são. Os adultos de tanto vê-las, já não vêem mais . As coisas – as mais maravilhosas – ficam banais. Ser adulto é ser cego.

Sono solo i bambini che vedono le cose – perchè essi vedono sempre per la prima volta con stupore, con meraviglia che esse siano nel modo in cui sono. Gli adulti dal tanto vederle, già non le vedono più. Le cose – le più meravigliose – diventano banali. Essere adulto è essere cieco.

Rubem Alves do livro O amor que acende a lua – Papirus   – Disegno di Nicoletta Costa

Cercare se stessi

Filed under: Libri — patriziaercole @ 7:25 pm

Per gli uomini non esiste nessunissimo dovere, tranne uno:
cercare se stessi, consolidarsi in sé, procedere a
tentativi per la propria via ovunque essa conduca.

Herman Hesse

Amor é fogo que arde sem se ver

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 6:48 pm

Pat_dett copia

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões – Foto di Patrizia Ercole ©

Luís Vaz de Camões (cerca de 1524 — 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopeia Os Lusíadas é a mais significativa.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Vaz_de_Cam%C3%B5es

O sonêto 11 de Luiz Vaz de Camões, foi adaptado musicalmente pelo grupo “Legião Urbana”. Sua forma original é tirada do texto bíblico 1 Coríntios 13 http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22490/

Poesie di Mario Quintana di Pierino Bonifazio

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 6:37 pm
Poesie

Os Degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…

Mario Quintana – Baú de espantos, Editora Globo, Rio de Janeiro, 1986.

I Gradini
Non discendere i gradini del sogno
Per non svegliare i mostri.
Non salire in soffitta – dove
Gli dei, dietro alle loro maschere,
Occultano il loro enigma.
Non scendere, non salire, resta.
Il mistero sta nella tua vita!
Ed è un sogno folle questo nostro mondo…

O livro “Poesie di Mario Quintana” – edição bilíngüe de Pierino Bonifazio é, antes de tudo, um livro que emociona. Emociona porque contém o melhor da obra de Mario Quintana, trazendo à tona todo o seu lirismo, ironia, simplicidade e bom humor. A emoção de ler ou reler Quintana cresce quando o lemos em italiano, língua de incrível beleza, que empresta toda a sua musicalidade e harmonia aos versos do nosso poeta. Quintana ficaria feliz de ver o resultado, pois Bonifazio fez um trabalho acurado e minucioso mantendo não só o sabor-Quintana, mas também a proximidade com o leitor, como bem ressalta Armindo Trevisan no prefácio do livro.
Este é um livro para muitas pessoas: para quem ama a poesia e, ainda mais especificamente, ama Quintana; ou também para quem ainda não o conhece e deseja conhecê-lo; para quem gosta de línguas e de confrontá-las e, em especial, para quem ama e/ou estuda o italiano. Com o livro de Bonifazio pode-se simplesmente deixar-se embarcar nos versos e na sua musicalidade, como também fazer um interessante estudo de confronto entre duas línguas neolatinas às vezes tão parecidas, outras tão distintas. Boa leitura!

Il libro “Poesie di Mario Quintana” – edizione bilingue – di Pierino Bonifazio é, prima di tutto, un libro che emoziona. Emoziona perchè contiene il meglio dell’opera di Mario Quintana, mettendo in evidenza tutto il suo lirismo, l’ironia, la semplicità e il buon umore. L’emozione di leggere o rileggere Quintana cresce quando lo leggiamo in italiano, lingua di incredibile bellezza, che impresta tutta la sua musicalità e armonia ai versi del nostro poeta. Quintana sarebbe felice di vedere il resultato, perchè Bonifazio ha fatto un lavoro accurato e minuzioso mantenendo non solo il “sapore-Quintana”, ma anche la vicinanza col lettore, come bene fa rilevare Armindo Trevisan nella prefazione al libro.
Questo è un libro diretto a molte persone: a chi ama la poesia e, ancor più specificamente, ama Quintana; o anche a chi ancora non lo conosce e desidera conoscerlo; a chi ama le lingue e il piacere di confrontarle e, in particolare, a chi ama e/o studia l’italiano. Con il libro di Bonifazio si può semplicemente lasciarsi prendere dai versi e dalla loro musicalità, o anche fare uno studio interessante di confronto fra due lingue neolatine a volte tanto somiglianti, a volte tanto diverse. Buona lettura!

Pierino Bonifazio – Poesie di Mario Quintana – Casa Editrice: ZOUK EDITORA http://www.editorazouk.com.br/

27 febbraio 2010

PEDRA FILOSOFAL

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:16 pm

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

António Gedeão, “Movimento Perpétuo” na Obra Completa, Relógio d’Água Editores, Lisboa, 2004.

Contemplo il lago silenzioso

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:06 pm

Contemplo il lago silenzioso
che la brezza fa rabbrividire.
Non so se penso a tutto
o se tutto mi dimentica.
Nulla il lago mi dice
né la brezza cullandolo.
Non so se sono felice
né se desidero esserlo.
Tremuli solchi sorridono
sull’acqua addormentata.
Perché ho fatto dei sogni
la mia unica vita?

Fernando Pessoa

ODE A CEBOLA

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:02 pm

Cebola,
luminosa redoma,
pétala a pétala
formou-se a tua formosura,
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra sombria
arredondou-se o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
deu-se o milagre
e quando apareceu
teu rude caule verde,
e nasceram
as tuas folhas como espadas no horto
a terra acumulou seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar distante
duplicou a magnólia
levantando-lhe os seios,
a terra
fez-te assim,
cebola,
clara como um planeta,
e destinada
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
dos pobres.

Generosa
desfazes
teu globo de frescura
na consumação
fervente do cozido,
e o girão de cristal
ao calor inflamado do azeite
transforma-se em ondulada pluma de ouro.

Recordarei também como a tua influência
fecunda o amor da salada
e parece que contribui o céu
dando-te a fina forma do granizo
a celebrar a tua luz picada
sobre os hemisférios de um tomate.
Mas ao alcance
das mãos do povo,
regada com azeite,
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolta
em delicado
papel, tu sais do solo,
eterna, intacta, pura
como semente de astros,
e ao cortar-te
a faca de cozinha
sobe a única lágrima
sem mágoa.
Fizeste-nos chorar mas sem sofrer.
Tudo o que existe celebrei, cebola,
mas para mim és
mais formosa que um pássaro
de plumas ofuscantes,
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina,
baile imóvel
de anémona nevada

e a fragância da terra inteira vive
na tua natureza cristalina.

PABLO NERUDA

tradução de José Bento, in Antologia de Pablo Neruda, editorial Inova, 1973 – As mãos e os frutos

26 febbraio 2010

Il viaggio

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:01 pm

Si possono percorrere milioni di chilometri in una sola vita
senza mai scalfire la superficie dei luoghi
nè imparare nulla dalle genti appena sfiorate.
Il senso del viaggio sta nel fermarsi ad ascoltare
chiunque abbia una storia da raccontare.

Camminando si apprende la vita,
camminando si conoscono le cose,
camminando si sanano le ferite del giorno prima.
Cammina guardando una stella
ascoltando una voce
seguendo le orme di altri passi.
Cammina cercando la vita
curando le ferite lasciate dai dolori.
Niente può cancellare il ricordo del cammino percorso.

Rubén Blades

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