Poesia & poemas

28 aprile 2009

A aprendizagem amarga

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:35 pm

Chega um dia em que o dia se termina
antes que a noite caia inteiramente.
Chega um dia em que a mão, já no caminho,
de repente se esquece do seu gesto.
Chega um dia em que a lenha já não chega
para acender o fogo da lareira.
Chega um dia em que o amor, que era infinito,
de repente se acaba, de repente.

Força é saber amar, perto e distante,
com o encanto rosa livre na haste,
para que o amor ferido não se acabe
na eternidade amarga de um instante.


Thiago de Mello

27 aprile 2009

OCCHIAZZURRA

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 9:48 pm

 

A te occhiazzurra questi canti deve
uno che ha sete e alle tue labbra beve;

che antichi come lui, come te nuovi,
se giri tutto il mondo non ne trovi. 

Umberto Saba, dal Canzoniere

26 aprile 2009

Viagem

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 12:41 pm

No perfume dos meus dedos,
há um gosto de sofrimento,
como o sangue dos segredos
no gume do pensamento.

Por onde é que vou?

Fechei as portas sozinha.
Custaram tanto a rodar!
Se chamasse, ninguém vinha.
Para que se há de chamar?

Que caminho estranho!

Eras coisa tão sem forma,
tão sem tempo, tão sem nada…
– arco-íris do meu dilúvio! –
que nem podias ser vista
nem quase mesmo pensada.

Ninguém mais caminha?

A noite bebeu-te as cores
para pintar as estrelas.
Desde então, que é dos meus olhos?
Voaram de mim para as nuvens,
com redes para prendê-las.

Quem te alcançará?

Dentro da noite mais densa,
navegarei sem rumores,
seguindo por onde fores
como um sonho que se pensa.

Para onde é que vou?

Cecília Meireles  (1901-1964)

La notte lava la mente

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 12:29 pm

 

La notte lava la mente.
 
Poco dopo si è qui come sai bene,
file d’anime lungo la cornice,
chi pronto al balzo, chi quasi in catene.
 
Qualcuno sulla pagina del mare
traccia un segno di vita, figge un punto.
Raramente qualche gabbiano appare.

Mario Luzi, da “Onore del vero”

25 aprile 2009

Mundo interior

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 8:43 pm

 

Ouço que a natureza é uma lauda eterna
De pompa, de fulgor, de movimento e lida,
Uma escala de luz, uma escala de vida
De sol à infima luzerna.

Ouço que a natureza, – a natureza externa, –
Tem o olhar que namora, e o gesto que intimida
Feiticeira que ceva uma hidra de Lerna
Entre as flores da bela Armida.

E contudo, se fecho os olhos, e mergulho
Dentro em mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo
Em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho,

Rola a vida imortal e o eterno cataclismo,
E, como o outro, guarda em seu âmbito enorme,
Um segredo que atrai, que desafia – e dorme.

Machado de Assis (1839-1908)

PIANTO ANTICO

Filed under: Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:35 pm

L’albero a cui tendevi
la pargoletta mano,
il verde melograno
da’ bei vermigli fior,

nel muto orto solingo
rinverdì tutto or ora,
e giugno lo ristora
di luce e di calor.

Tu fior de la mia pianta
percossa e inaridita,
tu de l’inutil vita
estremo unico fior,

sei ne la terra fredda,
sei ne la terra negra
né il sol più ti rallegra
né ti risveglia amor.


Giosuè Carducci – da: Rime nuove, 1887

24 aprile 2009

Adeus, amor

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 10:01 pm

 

O amor disse-me adeus, e eu disse: “Adeus,
Amor! Tu fazes bem: a mocidade
Quer a mocidade.” Os meus amigos
Me felicitam: “Como estás bem conservado!”

Manuel Bandeira (1886-1968) –  Foto di Francesco Sabino © – Sito http://francescosabino.it

Perché

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 9:54 pm

Perché i bambini muoiono di fame
quando ce n’è abbastanza                  
per sfamare il mondo?                            
Perchè se siamo così tanti               
ci sono ancora persona sole?             
Perchè i missili sono “guardiani della pace”       
quando sono pronti a uccidere?
Perchè una donna non è sicura               
nemmeno nella sua casa?                      
                                                  
Amore è odio                                 
guerra è pace                                  
no è sì                                      
e siam tutti liberi.
                                                   
Ma qualcuno dovrà rispondere.             
L’ora arriverà presto.                           
Fra tutte queste domande e contraddizioni   
c’è qualcuno che cerca la verità.           
                                                 
L’ora arriverà quando i ciechi              
si toglieranno i paraocchi                     
e i muti diranno la verità.

                             
Tracy Chapman

21 aprile 2009

AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS

Filed under: Poesie — patriziaercole @ 7:50 pm

Quando pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.

Wislawa Szymborska – Tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves

Nascida em 1923, a polonesa Wislawa Szymborska é uma escritora popular na internet. Seus poemas são reproduzidos com perceptível agrado em milhares de sites e blogs, tanto em seu idioma natal como em traduções para várias outras línguas.
Wislawa reside na cidade de Cracóvia desde 1931, onde estudou literatura polonesa e sociologia. Sua atividade literária inicia-se durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos de resistência à ocupação nazista. Sua estréia em letra de fôrma deu-se em 1945, quando publicou um poema num jornal. Entre 1953 e 1981, trabalhou como editora de poesia e colunista na revista semanal Życie Literackie (Vida Literária). Sua coluna chamava-se “Leitura Não Obrigatória”.
O primeiro livro de Wislawa estava para ser publicado em 1949, mas não passou na censura da então República Popular da Polônia: “não atendia às exigências socialistas”. Mesmo assim, ela permaneceu leal à orientação oficial, como a maior parte dos intelectuais poloneses no pós-guerra. Seu primeiro livro saiu afinal em 1952, e nele há poemas poemas laudatórios às realizações do regime. Ela também tornou-se membro do partido comunista polonês, no qual permaneceu até 1966, embora desde o final dos anos 50 já mantivesse contato com intelectuais dissidentes. Hoje, a autora descarta de sua obra os primeiros livros.
 Wislawa Szymborska publicou 16 coletâneas de poesia e também traduziu poemas do francês. Poeta quase desconhecida, ganhou notoriedade após receber o prêmio Nobel de Literatura em 1996.

Partire è uscire da sé

Filed under: Formazione — patriziaercole @ 7:46 pm

Partire è anzitutto uscire da sé. Rompere quella crosta di egoismo che tenta di imprigionarci nel nostro “io”. Partire è smetterla di girare intorno a noi, come se fossimo al centro del mondo e della vita. Partire è non lasciarsi chiudere negli angusti problemi del piccolo mondo cui apparteniamo: qualunque sia l’importanza di questo mondo, l’umanità è più grande ed è essa che dobbiamo servire. Partire non è divorare chilometri, attraverso i mari, volare a velocità supersoniche.
Partire è anzitutto aprirci agli altri, scoprirli, farsi loro incontro. Aprirci alle idee, comprese quelle contrarie alle nostre, significa avere il fiato di un buon camminatore. Felice chi comprende e vive questo pensiero: “Se non sei d’accordo con me, tu mi fai più ricco”. Aver vicino a sé un uomo che è sempre d’accordo, già prima che glielo chieda incondizionatamente, non è avere un compagno, ma un’ombra.
È possibile viaggiare da soli. Ma un buon camminatore sa che il grande viaggio è quello della vita ed esso esige dei compagni.
Beato chi si sente eternamente in viaggio e in ogni prossimo vede un compagno desiderato.
Un buon camminatore si preoccupa dei compagni scoraggiati e stanchi. Intuisce il momento in cui cominciano a disperare. Li prende dove li trova. Li ascolta. Con intelligenza e delicatezza, soprattutto con amore, ridà coraggio e gusto per il cammino. Andare avanti solo per andare avanti, non è vero camminare. Camminare è andare verso qualche cosa; è prevedere l’arrivo, lo sbarco.
Ma c’è cammino e cammino: partire è mettersi in marcia e aiutare gli altri a cominciare la stessa marcia per costruire un mondo più giusto e umano.

Helder Camara (1909 – 1999)

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