Poesia & poemas

9 maggio 2010

Erótica é a alma

Filed under: Cibercultura,Formazione,Libri,Poesie — patriziaercole @ 8:37 pm

Amamos uma pessoa pela poesia que vemos escrita no seu corpo. Bem diza a Adélia Prado que “erótica é a alma”. Estranho isso, porque se pensa que o amor mora é no corpo e até se dá o nome de “fazer amor” à união de dois corpos. Mas o corpo é como a flauta, o órgão, o violão, o violino – coisa que só fica bonita quando dele sai música. Amamos um corpo pela música que nos faz ouvir. Conheço muito piano fechado, desafinado, importado, que ninguém sabe tocar, mas que dá um toque de elegância ao ambiente. Quem tem um piano deve ser sensível. E, no entanto, não se sabe distinguir um acorde maior de um menor.

Rubem Alves – Visite http://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.ht

28 marzo 2010

Ser Criança…

Filed under: Cibercultura,Poesie — patriziaercole @ 10:11 am

DSC01404

Ser criança é achar que o mundo é feito de fantasias,
sorrisos e brincadeiras.
Ser criança é comer algodão doce e se lambuzar.
Ser criança é acreditar num mundo cor de rosa,
cheio de pipocas.
Ser criança é olhar e não ver o perigo.
Ser criança é sorrir e fazer sorrir.
Ser criança é chorar sem saber porque.
Ser criança é querer ser feliz.
Ser criança é se esconder para nos preocupar.
Ser criança é errar e não assumir o erro.
Ser criança é pedir com os olhos.
Ser criança é derramar uma lágrima para nos sensibilizar.
Ser criança é isso e muito mais.
É nos ensinar que a vida, apesar de difícil,
pode tornar-se fácil com um simples sorriso.
É nos ensinar que criança só quer carinho e afeto.
É nos ensinar que, para sermos felizes,
basta apenas olharmos para uma criança.

Nilse Caldas César – Foto di Patrizia Ercole © Centro Comunitário “Oscar Romero” – São Paulo (Brasil) 2006.

24 marzo 2010

A idade não protege contra o amor…

Filed under: Cibercultura — patriziaercole @ 1:18 pm

File0009_MM

A idade não protege contra o amor. Mas o amor, em certa medida, protege contra a idade.

Moral é o que nos permite ser fiéis a nós mesmos.

Quando descubro que o homem pelo qual estou apaixonada se interessa por alguém além de mim, subitamente deixo de existir. É uma angústia terrível. Só me resta um desejo: ficar metida na cama.

Se você for dolorosamente temeroso em relação à idade, ela se mostrará mais. A vida não acaba aos 30. Idade é só um número.

Sentimo-nos sozinhos. Os homens são sozinhos e lutam para evitá-lo. Nós não tentamos evitá-lo. Sabemos que estamos sós nos acontecimentos mais importantes dos nossos corpos, das nossas vidas.

Temos tantas palavras para os estados mentais, e tão poucas para o estado do corpo.

Jeanne Moreau, atriz francesa

21 marzo 2010

A IMPORTÂNCIA DA PONTUAÇÃO

Filed under: Cibercultura — patriziaercole @ 3:01 pm

Um homem rico estava muito mal. Pediu papel e pena. Escreveu assim:

Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

Morreu antes de pontuar a frase.
A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes.

1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:
Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho.
Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:
Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho.
Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

3) O alfaiate pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:
Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais!
Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:
Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais!
Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.

Assim é a vida. Nós é quem colocamos os pontos. E isso faz a diferença.

26 febbraio 2009

A comodidade da alma

Filed under: Cibercultura — patriziaercole @ 6:17 pm

Berna, 2 de janeiro de 1947

Querida, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades – depois disso fica-se um pouco um trapo.
Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e dos outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu… em que pese a dura comparação… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida – que não era maravilhosa mas era uma vida – eu me transforme inteiramente.
Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse e me perguntou: “Você era muito diferente, não era?”. Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você mesma uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver.
Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia – será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma.

Tua Clarice

Carta de Clarice Lispector  a uma amiga. É comovente e bela a lucidez com que ela reconhece o quanto é difícil permanecer fiel a si mesmo e o preço alto que pagamos pela ousadia de buscar o que julgamos ser nosso. Acredito que a convicção inabalável do que nos pertence é nosso salvo-conduto para não desistirmos de nossos sonhos e de nós mesmos e principalmente não nos acomodarmos diante de uma vida sem sentido só porque é menos doloroso.

Tema: Rubric. Blog su WordPress.com.

Iscriviti

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 48 other followers